! Milhões de franceses vão às ruas exigir de Sarkozy soluções para crise - 19/03/2009 - AFP - Economia
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19/03/2009 - 15h49

Milhões de franceses vão às ruas exigir de Sarkozy soluções para crise

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PARIS, França, 19 Mar 2009 (AFP) - Os trabalhadores franceses organizaram enormes manifestações nesta quinta-feira, na segunda greve geral convocada este ano para protestar contra as medidas de combate à crise o presidente, Nicolas Sarkozy, e exigir aumento salarial e mais investimento na área social.

"A crise não é culpa dos trabalhadores", dizia um dos cartazes do protesto feito em Paris, onde dezenas de milhares de pessoas marcharam com líderes sindicais da praça da República até a Bastilha.

De acordo com a CGT, principal sindicato francês, três milhões de pessoas participaram das manifestações em todo o país; a polícia, no entanto, afirma que foram apenas 1,2 milhão.

Um milhão de funcionários aderiram à greve, segundo fontes oficiais.

Trabalhadores do setor público e privado apoiaram as marchas em Paris, Marselha, Lyon, Estrasburgo e em outras 200 cidades francesas.

Em Rouen, no norte, os manifestantes quebraram os vidros da sede da Medef, associação patronal francesa.

Em Compiegne, a norte de Paris, os trabalhadores queimaram pneus nas ruas para protestar contra o fechamento de uma fábrica da empresa alemã de pneus Continental, que significou a eliminação de 1.120 empregos - o mais recente de uma onda de cortes anunciados no país.

Os protestos desta quinta ilustram a crescente ira dos franceses, que assistem seu país caminhar para a recessão. O governo prevê uma contração de 1,5% do PIB para 2009 e mais 300.000 empregos cortados, que se somariam aos mais de dois milhões já eliminados - atingindo mais de 7% da população economicamente ativa.

Quase 80% dos franceses estimam que a greve deveria mesmo ser organizada, segundo uma pesquisa publicada esta semana.

A paralisação provocou o cancelamento de um em cada três vôos partindo do aeroporto parisiense de Orly e de 10% dos vôos do gigantesco Charles de Gaulle.

A SNCF, empresa estatal que opera as linhas de trem, deixou parados 40% de seus carros de alta velocidade e metade do resto da frota, que faz trajetos regionais.

Moradores da zona metropolitana de Paris não sofreram tanto como em outras greves; uma lei recente exige o funcionamento mínimo do serviço ferroviário. O metrô e os ônibus da capital funcionavam quase que normalmente.

Os sindicatos querem que o presidente Sarkozy desista de seus planos de corte de gastos, que inclui o enxugamento do setor público e o aumento dos impostos para as classes mais altas, além de elevar o salário mínimo.

"Isso não é apenas um dia de protestos", disse François Chereque, líder do poderoso sindicato CFDT. "Fizemos propostas firmes, e o governo deve nos dar respostas sérias".

Em fevereiro, Sarkozy anunciou um pacote social de 2,6 bilhões de euros, depois da primeira greve geral, que levou um milhão de pessoas para as ruas no dia 29 de janeiro.

Mas o presidente conservador descarta anunciar novos gastos contra a crise, e nem pensa em suspender um impopular corte de impostos decidido em 2007, criticado por favorecer os mais ricos.

Em uma tentativa de amenizar as críticas, o governo chegou a pedir à Medef que limite os salários dos executivos de empresas que anunciarem despedidas. A patronal, no entanto, rejeitou a proposta nesta quinta-feira.

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