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19/03/2009 - 12h33

Washington investigará bônus pagos pela AIG e o papel do Tesouro no caso

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WASHINGTON, EUA, 19 Mar 2009 (AFP) - O diretor de controle de utilização de fundos públicos concedidos aos bancos americanos, Neil Barofsky, anunciou nesta quinta-feira que investigará os bônus pagos a executivos da seguradora AIG, socorrida pelo Estado, e principalmente o papel do Tesouro neste caso.

Barofsky, inspetor geral especial do Programa de Resgate de Ativos em Dificuldades (TARP, por sua sigla em inglês), disse aos congressistas americanos que atuará "energicamente para recuperar o dinheiro dos contribuintes" se for comprovada alguma irregularidade no pagamento dos benefícios.

"A informação anterior indicava que o contrato TARP entre a AIG e o Tesouro, que entrou em vigor em novembro, contempla o pagamento de bônus e retenção de pagamentos aos funcionários da AIG, incluindo os maiores sócios da AIG", declarou em seu pronunciamento aos congressistas.

Barofsky disse que seu escritório "revisará a atitude do Tesouro em relação à decisão de autorizar ou aprovar tais pagamentos, ao assinar o contrato com a AIG".

Segundo o Washington Post, funcionários do Federal Reserve (Fed, banco central) sabiam sobre o pagamento de bônus polêmicos a executivos da seguradora, mas não informaram o procedimento ao Tesouro nem à Casa Branca durante meses.

O American International Group (AIG) informou ao Fed três meses atrás que em 15 de março pagaria 165 milhões de dólares a funcionários de sua divisão de Produtos Financeiros, destacou o Post, citando funcionários do governo e da companhia.

Os bônus foram distribuídos entre altos funcionários da divisão da AIG que levou à seguradora à beira da falência e cujos negócios com redes de bancos mundiais foram em parte os desencadeadores da crise financeira global.

O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, disse ao Post que não estava sabendo da quantia dos bônus nem o momento escolhido para efetuar os pagamentos.

Geithner se reuniu com sua equipe e considerou algumas alternativas, mas concluiu que o governo não pode modificar os contratos de trabalho já subscritos e assinados.

O secretário do Tesouro informou então o alto funcionário da Casa Branca, que foi comunicado a Obama dia 12 de março, um dia ante da efetivação dos pagamentos, segundo o Post.

A AIG foi resgatada com uma injeção de 85 bilhões de dólares pelo governo em setembro passado, no momento em que Geithner dirigia o Fed de Nova York e estava envolvido neste assunto. O socorro financeiro aumentou depois a 180 bilhões de dólares.

O governo americano resgatou o gigante dos seguros por considerar que seus vínculos com uma complexa rede mundial de bancos provocariam um colapso financeiro não só nos EUA como no mundo todo.

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