! Obama escolhe o talk show de Jay Leno para defender sua política econômica - 20/03/2009 - AFP - Economia
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20/03/2009 - 10h54

Obama escolhe o talk show de Jay Leno para defender sua política econômica

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LOS ANGELES, EUA, 20 Mar 2009 (AFP) - O presidente Barack Obama fez uma aparição pouco ortodoxa no conhecido talk show americano "Tonigh Show", apresentado por Jay Leno, na noite de quinta-feira, quando defendeu suas decisões políticas diante de uma crise econômica sem precedentes.

A entrevista de Obama no programa - a primeira de um presidente no cargo - foi caracterizada pela quebra da formalidade que geralmente marca a aparição do chefe de Estado americano na televisão.

O objetivo do presidente era se dirigir ao público de um programa de grande audiência na TV americana para defender seus planos de resgate da abalada economia nacional e assegurar suas promessas de uma prosperidade a longo prazo.

Para começar, Obama se declarou "chocado" ao ficar sabendo do pagamento dos bônus aos executivos da seguradora AIG, um escândalo que abala Washington.

"A questão é, quem em sã consciência decide, quando sua companhia está falida, pagar todos estes bônus?", questionou Obama.

O presidente criticou assim "as pessoas acostumadas a assumir riscos excessivos com o dinheiro de outras pessoas" e que, com isso colocaram em perigo todo um sistema financeiro em que "não há balanços e onde ninguém fiscaliza o processo".

Indagado por Jay Leno se mais pessoas deveriam ser presas por causa dos escândalos financeiros, Obama respondeu:

"Vou te contar um segredo: a maior parte dessas coisas que nos meteram nessa confusão é perfeitamente legal. E isso é um inal de que precisamos mudar nossas leis, certo?"

Leno também perguntou ao presidente como ele está se sentindo sob total observação passados 59 dias de seu governo.

"Eu aceito bem o desafio. Washington é meio parecido com o 'American Idol,' só que todo mundo é o Simon Cowell", explicou, referindo-se ao popular reality show e a seu sarcástico jurado.

Obama, contudo, disse acreditar que os americanos "entendem que vai demorar um pouco para arrumar e sair dessa bagunça".

Ele também aproveitou para enfatizar seu apoio ao secretário do Tesouro, Timothy Geithner, criticado pela oposição republicana por sua condução do escândalo dos bônus da AIG.

"Acho que as pessoas não entendem direito a tarefa que demos a ele. O cara não apenas está gerenciando uma crise finaneira, ele encara a pior recessão desde a Grande Recessão, e ainda tem uma indústria automotiva à beira do colapso. Temos que coordenar isso com outros países... e ele está fazendo isso com graça e bom humor".

Obama também falou de assuntos mais agradáveis, sobre as experiências de sua família na nova casa e a promessa que fez às filhas de dar um cachorrinho, mas a piada que fez sobre suas habilidades no boliche o deixou numa situação incômoda pelo risco de ser encarada como um insulto pelas pessoas com alguma deficiência.

Perguntado pelo apresentador do "Tonight Show" sobre a pista de boliche na Casa Branca, em particular depois que Obama falhou estrepitosamente neste esporte durante a campanha eleitoral, o presidente dos Estados Unidos afirmou que está praticando.

"Consegui 129", disse entre as risadas da platéia. A pontuação perfeita no boliche é 300.

"Isto é muito bom presidente", disse sarcasticamente Leno.

"É como nas Olimpíadas Especiais ou algo similar", respondeu Obama em uma referência aos Jogos Paraolímpicos.

A Casa Branca tentou minimizar a contovérsia com rapidez, com a esperança de que a viagem de dois dias de Obama à Califórnia, estado muito afetado pela crise, não seja ofuscada pela gafe.

"O presidente fez uma declaração fora de tom ao fazer piada sobre sua habilidade no boliche, que de nenhuma maneira tinha a intenção de ridicularizar os Jogos Paraolímpicos", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Bill Burton.

"Obama acredita que os Paraolímpicos são eventos estupendos que dão uma oportunidade de brilhar a pessoas com deficiências de todo o mundo", disse Burton.

Assessores do presidente afirmaram antes da gravação do programa de TV que Obama não tentaria ser engraçado, e que pretendia dirigir-se a um público mais amplo sobre seus planos para resgatar a economia dos Estados Unidos.

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