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23/03/2009 - 10h10

Tesouro americano revela mecanismos para recomprar ativos podres

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WASHINGTON, EUA, 23 Mar 2009 (AFP) - O Tesouro americano revelou nesta segunda-feira duas modalidades de seu plano de recompra dos ativos tóxicos dos bancos, que prevê a criação de dois mecanismos associando investidores privados, um para os empréstimos outro para títulos atrelados a ativos imobiliários.

Conforme já havia anunciado em fevereiro, o Tesouro espera dedicar num primeiro momento de US$ 75 a US$ 100 bilhões de fundos públicos para mobilizar com o setor privado até US$ 1 trilhão de "potência de compra" para adquirir os ativos herdados da última bolha imobiliária.

A Comissão federal de garantia dos depósitos bancários (FDIC), reguladora do sistema bancário, aconselhará os bancos que desejarem se desfazer de seus créditos de risco e dará sua garantia, assim como uma ajuda ao financiamento aos investidores que quiserem comprá-los. Os empréstimos em questão serão em seguida vendidos em um sistema de leilões para que declarar o maior lance.

Para os títulos endossados a ativos imobiliários, os investidores interessados poderão se beneficiar da facilidade da ajuda ao crédito ao consumo (TALF) recentemente lançada pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) para obter uma boa parte do financiamento necessário para estas aquisições.

Somente os títulos que tiveram na origem a melhor nota possível das agências de classificação financeira poderão se beneficiar deste mecanismo.

Para a recompra e a gestão a longo prazo destes títulos, o Tesouro vai se associar a estabelecimentos de gestão de fundos privados (até cinco no total) e fornecer no momento desta parceria um financiamento suplementar.

Os fundos interessados têm até 10 de abril para se apresentar, o Tesouro pretende fazer uma primeira escolha até 1º de maio.

O Tesouro se manteve fiel à sua ideia de base, segundo a qual os títulos imobiliários invendáveis acumulados pelos bancos na última bolha imobiliária ainda têm um valor intrínseco forte, e que é sobretudo a falta de financiamento decorrente da crise que impede o funcionamento de um mercado normal de compra e venda destes títulos.

O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, fragilizado pelo escândalo dos bônus pagos aos executivos de grandes empresas ajudadas pelo governo, uma entrevista ao Wall Street Journal, justificou o plano para que os bancos se livrem de seus ativos desvalorizados, incluindo portfólios de empréstimos devastados pela explosão da bolha imobiliária em 2007.

"Em nossa opinião, a melhor maneira de sair disso é trabalhar junto com os mercados", declarou Geithner.

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