! Bônus milionário pago a presidente de empresa provoca novo escândalo na França - 24/03/2009 - AFP - Economia
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24/03/2009 - 12h48

Bônus milionário pago a presidente de empresa provoca novo escândalo na França

[selo]
PARIS, França, 24 Mar 2009 (AFP) - O escândalo da remuneração dos patrões ganhou mais um capítulo nesta terça-feira na França com a revelação do bônus de 3,2 milhões de euros concedido ao presidente da empresa do setor automobilístico Valéo, que escapou da falência graças à intervenção das autoridades.

O governo francês que possui 8% da Valéo, onde injetou recentemente 19 milhões de euros através de seu Fundo estratégico de investimento (FSI), qualificou o caso de "chocante" e garantiu que se oporá ao pagamento do bônus.

De Washington, o primeiro-ministro francês, François Fillon, afirmou que o Estado se "opõe" ao pagamento do bônus, considerando que "as pessoas que não mostram responsabilidade ameaçam todo nosso sistema econômico e social".

O dirigente do grupo, Thierry Morin, foi demitido sexta-feira por "divergências estratégicas" com o conselho de administração, e recebeu uma indenização de 3,2 milhões de euros.

A empresa manteve o pagamento do bônus, apesar de Morin ter cumprido apenas três das cinco metas às quais a indenização eram condicionada. Ele deixou uma empresa à beira da falência, com perdas de 207 milhões de euros em 2008 e 5.000 supressões de postos em andamento.

De acordo com a CGT, o principal sindicato francês, o bônus suscitou a "ira" e um "forte sentimento de injustiça" entre os funcionários da empresa.

A Valéo, principal fornecedora francês de peças para automóveis, recebeu a ajuda do governo francês, preocupado em preservar um setor considerado estratégico para a economia mas muito abalado pela crise.

"O Estado acompanhou este empresa, e acho chocante que este tipo de remuneração seja instalada no contexto atual", declarou o porta-voz do governo, Luc Chatel, também secretário de Estado à Indústria.

Este novo escândalo vem à tona alguns dias depois da concessão de dezenas de milhares de stock-options a dirigentes do banco Société Générale, que obteve do Estado um empréstimo de 1,7 bilhão de euros. Diante da polêmica deflagrada pela regalia, os dirigentes acabaram desistindo destas ações a tarifas preferenciais.

Escândalos semelhantes foram registrados nos Estados Unidos, com os bônus milionários recebidos pelos executivos da seguradora AIG, e na Grã-Bretanha, onde uma polpuda aposentadoria foi prometida ao ex-patrão do Royal Bank of Scotland.

O economista Alain Minc, conselheiro de grandes patrões e políticos franceses, lançou segunda-feira uma advertência a seus "amigos da classe dirigente".

"Os senhores se deram conta de que o país está com os nervos a flor da pele, que os franceses têm o sentimento - talvez errôneo - de sofrer as consequências de uma crise provocada por nós?", perguntou, pedindo aos executivos que moderem suas remunerações.

Em 29 de janeiro e em 19 de março, milhões de franceses foram às ruas para denunciar a política do governo diante da crise.

O presidente Nicolas Sarkozy, que deve fazer um discurso no fim da tarde de hoje para explicar sua política, pressionou os dirigentes das empresas para que tomem medidas concretas para limitar seus salários até o dia 31 deste mês.

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