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25/03/2009 - 18h16

Empresário francês é mantido como refém por trabalhadores demitidos

[selo]
PARIS, França, 25 Mar 2009 (AFP) - Um grupo de trabalhadores franceses mantém nesta quarta-feira o gerente de uma fábrica retido para obter o compromisso dos proprietários americanos da empresa de um aumento das indenizações por demissões, no segundo incidente desse tipo, em março, na França.

O fato acontece em Pithiviers, centro do país, na fábrica da empresa farmacêutica e química 3M. O diretor está sendo mantido como refém desde a noite de ontem.

"Pedimos para renegociar as indenizações da demissão, um bônus por transferência", explicou à AFP o líder do sindicato Força Operária, Jean-François Caparros, acrescentando à lista de reivindicações a garantia de que a empresa não tocará nesses funcionários por 2 anos.

"Tivemos negociações toda a noite, mas não deram resultados. Podem ser retomadas de manhã. Todo mundo está muito motivado. Essa ação é nossa única moeda de troca. Mas não há agressividade", frisou.

A fábrica da 3M de Pithviers emprega 235 pessoas. A direção anunciou a demissão de 110 funcionários e a transferência de 40 trabalhadores para outras fábricas por uma queda constante da demanda.

Os gestos de revolta dos trabalhadores franceses ganharam força nas últimas semanas. Em meados de março, o presidente da Sony France foi retido durante 24 horas pelos funcionários de uma fábrica de Pontonx-sur-l'Adour, sudoeste, que também pediram uma revisão das condições de demissão.

Líderes sindicais consultados pela AFP acreditam que essas medidas possam aumentar.

"Quem semeia miséria, colhe raiva. A violência está em quem corta empregos, não naquele que se defende para tentar mantê-los", afirmou Bruno Lemerle, delegado do principal sindicato francês, a CGT, na Peugeot, em Sochaux (leste).

"Quando os trabalhadores têm o sentimento de serem menos bem tratados do que outros, de serem apenas uma variável de ajuste na estratégia da empresa, que, em tudo isso, não veem perspectiva, então a reação não é racional", avaliou Marcel Grignart, do sindicato reformista CFDT.

A violência das reações dos trabalhadores também se manifestou no fabricante alemão de pneus Continental, em um dos conflitos mais emblemáticos, na França, desse período de crise.

Os funcionários da unidade de Clairoix (norte), que emprega 1.120 pessoas e deve fechar daqui a um ano, jogaram ovos, duas vezes, em diretores da empresa, após o fatídico anúncio. Nesta quarta-feira, eles foram em massa a Paris, para protestar nas ruas, antes de serem recebidos por um assessor do presidente Nicolas Sarkozy.

Essas ações são alimentadas pela alta alarmante do desemprego, sobretudo, na indústria: 79.900 pedidos de seguro-desemprego foram registrados em fevereiro, de acordo com números oficiais divulgados hoje. A previsão é que haja, em 2009, entre 375.000 e 454.000 novos pedidos.

As relações entre assalariados e patrões estão cada vez mais delicadas, em função dos vários escândalos envolvendo milionários bônus e indenizações. Para o economista Francis Kramarz, essas tensões se inscrevem em um contexto muito particular nas relações sociais na França, marcado por uma fraca representação sindical no setor privado.

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