! EUA pediram empréstimos demais e causaram a crise, diz secretário do Tesouro - 25/03/2009 - AFP - Economia
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25/03/2009 - 12h11

EUA pediram empréstimos demais e causaram a crise, diz secretário do Tesouro

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WASHINGTON, EUA, 25 Mar 2009 (AFP) - O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, afirmou nesta quarta-feira que os Estados Unidos, enquanto nação, pediram empréstimos demais e que essa é uma das razões da atual crise financeira.

"Nenhuma crise como esta tem uma causa simples ou única, mas como nação pedimos empréstimos demais e deixamos nosso sistema financeiro assumir riscos irresponsáveis", admitiu, em sua intervenção diante do Council of Foreign Affairs, um prestigioso círculo de reflexão.


"Estas decisões causaram um sofrimento enorme, e muito do dano recaiu sobre os americanos comuns e donos de pequenos negócios que foram cuidadosos e responsáveis", acrescentou.

"Isto é fundamentalmente injusto, os americanos estão chateados com razão e frustrados", reconheceu o secretário.

Geithner disse ainda que seu projeto de lei de reforma da regulação financeira prevê dar ao governo meios para limitar a tomada de riscos nas empresas consideradas cruciais para todo o sistema financeiro.

"Nosso plano dará ao governo meios para limitar a tomada de risco das empresas que podem criar desgastes em cascata no sistema", indicou Geithner, em discurso feito na entidade com sede em Nova York.

"Nas próximas semanas, adotaremos medidas extras e proporemos regras novas e mais fortes para proteger os consumidores americanos e os investidores contra as fraudes financeiras", contoniou.

"O mundo previsa ver que os EUA assumiram um compromisso à altura da gravidade enorme do problema", disse Geithner.

Também enfatizou que o dólar americano continua sendo a principal moeda mundial de reserva e que os Estados Unidos atuarão para que se mantenha como tal.

"Acho que o dólar é a moeda de reserva de referência e que deverá continuar sendo durante muito tempo", declarou.

"Como país, faremos o necessário para conservar a confiança de nossos mercados financeiros e em nossa economia".

Sobre a situação atual nos EUA, Geithner declarou "Fizemos progressos importantes".

Como exemplo disso, ele citou o fato de as "taxas de empréstimos imobiliários a 15 e 30 anos terem chegado perto de seu piso histórico, e de alguns mercados do crédito já terem iniciado a retomada.

Geithner lembrou que acompanhará o presidente Barack Obama na Cúpula do G20, dia 2 de abril, em Londres, que deve debater os meios para superar a crise econômica mundial e reformar o sistema financeiro internacional.

Na véspera, tanto Geithner como o chefe do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, pediram perante a comissão de finanças da Câmara de Representantes do Congresso americano uma revisão das normas, com o objetivo de tornar mais rígida a regulação de todas as instituições financeiras.

Na ocasião, o secretário do Tesouro disse que o governo de Obama e o Congresso devem trabalhar em conjunto para elaborar uma "reforma regulatória integral e eliminar os vazios na supervisão".

"Todas as instituições e mercados que podem apresentar um risco sistêmico estarão sujeitas a uma rígida supervisão, incluindo as travas adequadas para a tomada de riscos", afirmou Geithner.

Geithner e Bernanke também pediram a criação de uma autoridade regulatória dotada de poder para liquidar sociedades financeiras não-bancárias.

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