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01/04/2009 - 10h49

Vale e outros gigantes na mira por altos preços do minério de ferro

As indústrias do aço e do automóvel reclamaram após a escalada dos preços do minério de ferro fixados pelos gigantes da mineração, entre eles a brasileira Vale, acusada por alguns de abusar de sua posição dominante.

"Há uma necessidade urgente que as autoridades da concorrência no mundo examinem o mercado do minério de ferro e o comportamento das três empresas que o dominam", afirmou nesta quinta-feira o diretor-geral da Associação Mundial de Produtores de Aço, Ian Christmas.

"Estes organismos devem decidir se a natureza não competitiva desta atividade é do interesse de todos, levando-se em consideração que o aço é utilizado em quase todos os setores da economia moderna", disse.

O minério de ferro é um dos principais componentes do aço, material essencial para o setor automobilístico, de construção e de fabricação de diversos bens de consumo.

Sua extração e comercialização estão nas mãos de três grandes empresas.

A Vale, primeira fornecedora mundial com uma concentração do mercado de 32,8%, confirmou nesta quinta-feira que negocia um novo tipo de contrato, que permitirá uma revisão dos preços a cada trimestre, ao invés da revião anual, como acontece atualmente.

A anglo-australiana BHP Billiton (15,1% do mercado) também indicou nesta semana que deixaria de fixar os preços anualmente para "um número importante" de clientes asiáticos.

Os anúncios parecem confirmar as informações da imprensa, que apontam que a Vale, a BHP e a terceira gigante, o também anglo-australiano Rio Tinto (18,6%), pretendem elevar bastante os preços, em até 80, 90 ou 100%.

"Os grupos de mineração buscam maximizar seus lucros a curto prazo, estimulando a volatilidade das tarifas do minério de ferro, apesar do risco de complicar a atividade de seus clientes, que devem planejar seus investimentos com antecedência", acusou Christmas.

Na Europa, a associação Eurofer denunciou nesta semana na Comissão Europeia, responsável pela concorrência no continente, fortes indícios de coordenação ilícita entre as três gigantes para impor aumentos de preços "injustificáveis".

A indústria europeia automobilística, cliente importante das mineradoras ao utilizar cerca de uma tonelada de aço por veículo, também está inquieta pelos preços do metal, que julga "excessivos e imprevisíveis" e que poderão afetar a competitividade de seu setor.

Para sua associação, a ACEA, as três gigantes concentram o "poder significativo de um oligopólio para fixar os preços". A Comissão Europeia e os governos da UE devem atuar de "forma urgente", afirma.

Bruxelas observa desde o ano passado a situação do mercado de minério de ferro. Primeiro, apresentou dúvidas sobre uma tentativa de compra hostil da BHP Billiton sobre a Rio Tinto, que finalmente foi abandonada.

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