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08/04/2009 - 15h40

Crise mundial derruba indústria argentina, segundo câmara empresarial

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BUENOS AIRES, Argentina, 8 Abr 2009 (AFP) - A atividade da indústria, pilar do modelo econômico dos governos do presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e de sua sucessora, Cristina Kirchner, está em queda livre em consequência da crise mundial, indicou nesta quarta-feira um relatório da União Industrial Argentina (UIA).

A produção fabril caiu 12,2% em fevereiro, na medição interanual, na quarta contração consecutiva desde novembro de 2008, após 72 meses de crescimento, segundo o Centro de Estudos da UIA, a maior entidade empresarial do país.

"Depois de um forte ciclo expansivo de seis anos para a produção industrial, desde novembro de 2008 o nível de atividade vem mostrando significativos retrocessos interanuais", afirma a central empresarial.

Em novembro e dezembro, a UIA registrou quedas de 6% e 9,2%, respectivamente, com "um crescimento acumulado de 3,4% para todo 2008, abaixo dos registros dos anos anteriores", época de extrema prosperidade, vivida desde 2003 em função das políticas pró-industriais dos Kirchner.

A reação do governo veio nas palavras da ministra da Produção, Débora Giorgi, que desqualificou o estudo afirmando que "esta não é a realidade da Argentina, e se esses fossem os números, a situação do emprego estaria altamente comprometida".

A UIA, por sua vez, respondeu dizendo que "as informações preliminares estão mostrando uma intensificação dessa tendência de queda", apesar do instituto oficial de estatísticas INDEC indicar que a queda de fevereiro foi de apenas 1,1%, segundo estimativas preliminares divulgadas em março.

De acordo com os índices oficiais, a indústria cresceu 16,2% em 2003, 10,7% em 2004, 8,0% em 2005, 8,4% em 2006, 7,5% em 2007 e 4,8% em 2008.

A esse respeito, a Justiça investiga uma denúncia da Defensoria do Povo contra o governo, por suposta manipulação de estatísticas do INDEC.

A UIA afirma que "esta realidade da indústria pode ser confrontada com a forte retração das exportações em fevereiro, dada a crise internacional, tanto as de origem industrial quanto as do setor agropecuário, que caíram 18% e 11%, respectivamente".

Juan Carlos Lascurain, presidente da UIA, disse na terça-feira que o país precisa de "mecanismos de contenção diante da possibilidade da perda de trabalho na indústria".

Abel Viglione, economista da liberal Fundação de Pesquisas Econômicas Latino-Americanas (FIEL), explicou na terça-feira à AFP que "a Argentina está na parte descendente do ciclo do Produto Bruto, mas a queda é muito mais forte na produção industrial".

A UIA aponta ainda que "as fortes quedas na produção automotiva (-55,7%) e de metais básicos (-34,9%), dois dos setores de maior contribuição para o crescimento industrial, explicaram grande parte da retração" em fevereiro.

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