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17/04/2009 - 16h07

Início de temporada animadora para os grandes bancos americanos

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NOVA YORK, EUA, 17 Abr 2009 (AFP) - Os primeiros resultados divulgados nesta semana pelos bancos americanos para o ano são considerados muito animadores, com lucros para todos, até para o gigante Citigroup, que chegou a acumular perdas durante um ano e meio.

Abrindo o baú de resultados na terça-feira, o Goldman Sachs elevou o nível das cifras anunciando lucro de 1,81 bilhão de dólares nos três primeiros meses do ano, com risco de deixar seus concorrentes morrendo de vergonha.

Mas o JP Morgan Chase elevou o desafio na quinta-feira, anunciando 2,14 bilhões de dólares de lucros.

Sexta-feira, o aluno mau Citigroup, que desde setembro recebeu em duas vezes 45 bilhões de dólares de fundos públicos e teve de aceitar que o Estado entrasse em seu capital, anunciou lucro de 1,6 bilhão de dólares. Até então, o banco vinha registrando perdas havia 15 meses, vítima de seu grande apetite por ações atreladas a créditos de risco.

Segunda-feira, será a vez de o Bank of America publicar seus resultados, antes do Wells Fargo confirmar suas previsões de um lucro de 3 bilhões de dólares já antecipadas há uma semana. O banco de negócios Morgan Stanley deve também publicar seus resultados na quarta-feira.

A Bolsa não esperou para comemorar: o índice dos valores bancários do Standard and Poor's ganhou mais de 11% esta semana.

No que parece ser mostra da saúde recuperada do setor financeiro, graças às dezenas de bilhões de dólares injetados pelo Tesouro e apesar de ser um banco regional, o Region Financials do Alabama (sul) indicou ter sido rentável no primeiro trimestre.

"Se até os bancos regionais estão lucrando, isso não quer dizer que a economia está melhor, mas afasta um grande risco dos mercados", comentou Gregori Volokhine, da Meeschaert New York.

No entanto, nem todas as sombras desapareceram.

Cada vez mais os analistas esperam que, uma vez enxugadas as enormes perdas ligadas ao crédito hipotecário, seja a vez dos prejuízos ligados ao crédito ao consumo.

A agência de classificação financeira Standard and Poor's destacou que os resultados "modestos" do Citigroup não são suficientes para elevação de sua nota, observando que o banco ainda tem de passar por etapas importantes e que o desempenho das atividade de varejo e cartões de crédito caíram.

No JPMorgan Chase, a direção aumentou as atividades ligadas aos empréstimos mas o presidente Jamie Dimon previu que a atividade do grupo no ramo de cartões de crédito seria deficitária este ano.

"É cedo para pensar que a economia saiu da crise", destacou Patrick O'Hare, analista da Briefing.com.

"O pior, que havíamos visto no quarto trimestre (2008), já passou", destacou o analista Karen Petrou, da Federal Financial Analytics. "Mas os bancos não se recuperaram, porque não tivemos tempo de fazer as reformas necessárias", disse à rádio pública NPR. "O sistema financeiro vai ser ainda cambaleante durante um certo tempo", afirmou.

Após a temporada de resultados, a próxima data mais esperada será a da publicação das conclusões do teste de resistência que a administração está aplicando aos bancos. Estas conclusões devem sair no fim de abril ou início de maio.

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