! Tesouro dos EUA teria exigido silêncio sobre perdas do Merrill Lynch, diz jornal - 23/04/2009 - AFP - Economia
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23/04/2009 - 11h24

Tesouro dos EUA teria exigido silêncio sobre perdas do Merrill Lynch, diz jornal

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WASHINGTON, EUA, 23 Abr 2009 (AFP) - O ex-secretário americano do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, tentou guardar silêncio sobre a situação do banco de investimentos Merryl Lynch, disse o diretor do Bank of America, Kenneth Lewis, segundo o "Wall Street Journal".

De acordo com o jornal financeiro, Lewis indicou em uma declaração sob juramento em fevereiro frente à justiça nova-iorquina que Paulson e Bernanke não queriam divulgar as dificuldades financeiras crescentes da Merrill Lynch antes de sua compra pelo Bank of America, em 1º de janeiro passado.


Revelar as perdas da Merrill Lynch, que chegaram a 15,84 bilhões de dólares no quarto trimestre de 2008, teria levado os acionistas do Bank of America a se oporem à compra. As autoridades temiam que um fracasso nessa operação fosse um "grande risco para o sistema financeiro", disse Lewis.

Depois de fechado o acordo para a fusão, o Bank of America recebeu uma ajuda federal de 20 bilhões de dólares.

"As perdas da Merrill Lynch, não eram uma informação que todo acionista do Bank of America deveriam ter conhecido?", perguntou a Lewis um representante do ministério da justiça de Nova York, segundo trechos da audiência publicados pelo Wall Street Journal.

"Isso não dependia de mim", defendeu-se o executivo.

No entanto, segundo o jornal, "em momento algum do testemunho Lewis disse que alguém lhe havia ordenado explicitamente guardar silêncio, mas acreditava que o governo assim preferiria".

Segundo uma fonte próxima ao caso, Paulson teria explicado em março aos investigadores que Lewis "poderia ter interpretado mal certas observações sobre as obrigações de divulgar informação dada pelo Tesouro".

Bank of America e Merrill Lynch estão desde janeiro prestando contas à justiça nova-iorquina por não terem informado seus acionistas das perdas imprevistas do banco de investimentos, antes da fusão das duas sociedades.

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