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24/04/2009 - 10h43

Brasil critica falta de ambição do FMI em reforma interna

O Brasil criticou neste sábado a "falta de ambição" do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a "injustificável resistência à mudança" de alguns membros no debate sobre a reforma interna da instituição.

"Nos sentimos consternados com o contraste entre a ambição mostrada pela direção quando fala do possível papel do Fundo e a falta de ambição exibida em recentes documentos (internos) sobre a revisão das cotas de poder", declarou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O Brasil, que anunciou contribuições consideráveis ao capital do Fundo no último ano, deseja que o FMI redistribua sete pontos percentuais de suas cotas internas em favor dos países emergentes.

Países ricos propõem uma redistribuição de 5%.

A discussão sobre a redistribuição de cotas teve início há cinco anos, mas ganhou força particularmente com a crise internacional de 2008.

Depois da criação de um novo programa de bônus dentro do Fundo, o Brasil anunciou que compraria até 14 bilhões de dólares.

A decisão deveria ser considerada no momento de redistribuir o poder dentro da instituição, afirmou Mantega em um discurso para o Comitê Monetário e Financeiro do Fundo, que celebra neste fim de semana sua reunião semestral em Washington.

Mantega desqualificou ainda as variáveis técnicas que o FMI utiliza para determinar as cotas internas.

A fórmula inclui, além das contribuições financeiras ao Fundo, variáveis como a abertura comercial de cada país membro.

"A insistência em não revisar esta fórmula deficiente é uma demonstração de resistência injustificável à mudança", disse Mantega.

Ao discursar em representação a outros oito países latino-americanos e caribenhos, o Brasil propôs que seja levada em consideração a contribuição de cada país membro ao crescimento mundial.

Entre 2004 e 2009 os países emergentes e em desenvolvimento protagonizaram 75% do crescimento mundial, destacou Mantega.

O ministro da Fazenda também rebateu o que chamou de "ideia falaciosa" de que o excesso de reservas monetárias contribui para os desequilíbrios mundiais.

"No que diz respeito ao Brasil, não estamos dispostos a abandonar nossas reservas internacionais em troca de nenhum tipo de rede de salvarguarda multilateral", advertiu Mantega.

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