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28/04/2009 - 15h17

Crise da dívida na Europa afunda o euro e os mercados

Os mercados financeiros e o euro mantiveram-se em declínio nesta quarta-feira em meio a temores de contágio da crise da Grécia a outros países da zona do euro, reforçados pelo rebaixamento da nota da dívida da Espanha pelo Standard & Poor's.

As bolsas europeias, que se mantiveram em queda durante todo o dia, ampliaram suas perdas no final das sessões com a divulgação da notícia de que a agência de classificação financeira havia baixado a nota da dívida soberana da Espanha de "AA+" para "AA" devido à situação de seu déficit.

Esta degradação é "um novo sinal de alerta demonstrando que os efeitos da crise grega se estendem", considerou Ben May, analista da Capital Economica.

A praça que mais sofreu foi a de Madri, onde o índice Ibex-35 dos principais valores perdeu 313,9 pontos (-2,99%) para fechar em 10.167 pontos.

O dia também foi difícil para os mercados dos outros países da zona do euro que enfrentam dificuldades em suas finanças públicas, como Irlanda, Itália e Portugal. Dublin caiu 2,47%; Milão, 2,43%; e Lisboa, 1,89%.

A Bolsa de Paris sofreu um retrocesso de 1,50%, e acumula uma queda de 5% em duas sessões.

O índice Dax da Bolsa de Frankfurt fechou com uma perda de 1,22%, e o Footsie-100 encerrou a sessão em queda de 0,3% em relação a terça-feira.

Fora da Europa, os mercados asiáticos também registraram perdas, como Tóquio (-2,75%), Hong Kong (1,47%) e Xangai (-0,26).

A Bolsa de Nova York buscava uma direção clara após as más notícias procedentes do Velho Continente e à espera do final de uma reunião do Federal Reserve. O Dow Jones resistia no início da tarde, ganhando 0,11%, mas o Nasdaq perdia 0,35%.

Os temores se intensificaram esta semana depois que a Alemanha se mostrara reticente em ajudar a Grécia e se agravaram na terça-feira quando o Standard & Poor's rebaixou as notas de Grécia (de "BBB+" para "BB+", relegando o país à categoria especulativa) e de Portugal (de "A+" para "A-").

O euro atingiu um novo mínimo em um ano ante a moeda americana, chegando a 1,3115 dólar pouco depois das 16h00 GMT (13h00 de Brasília), contra 1,3174 dólar na terça-feira às 21h00 GMT (18h00 de Brasília). A moeda europeia não chegava a este nível desde abril de 2009.

O rendimento das obrigações do Estado grego para 10 anos, que dispararam nesta quarta-feira de manhã para além de 11%, estavam em 9,919% às 16h00 GMT (13h00 de Brasília). A taxa a dois anos também caiu para 16,066%, depois de ter superado 18% durante o dia pelos temores de um risco de suspensão dos pagamentos do país a curto prazo.

A tendência se inverteu depois que os presidentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, e do Banco Central Europeu (UE), Jean-Claude Trichet, se reuniram com os líderes dos grupos parlamentares alemães para reiterar a urgência de uma ajuda à Grécia.

"A Grécia precisa de 8,5 bilhões de euros até o dia 19 de maio. Em meio à incerteza, - apesar de os países europeus tenham dito que vão ajudar - os investidores que ainda não viram resultados palpáveis dessas promessas, continuarão projetando uma catástrofe", declarou Nordine Naam, especialista em obrigações do banco de investimentos Natixis.

Em Portugal, considerado o segundo país de maior risco, as taxas também se mantiveram altas, em 5,761% para as de 10 anos, contra 5,501 na terça-feira, e a 5,228% para as de dois anos, contra 4,863% na terça-feira.

Na Espanha e Irlanda - os outros dois países que causam apreensão por seus déficits elevados - as taxas se situavam em 4,127%, (contra 4,052% na véspera) e 5,269% (contra 5,101%), respectivamente.

Ante a situação, o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, anunciou nesta quarta-feira a realização de uma cúpula dos países da zona do euro no dia 10 de maio para desbloquear a ajuda esperada pelos mercados.

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