! Chile: Piñera delega parte de sua fortuna para evitar conflitos éticos - 29/04/2009 - AFP - Economia
UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

29/04/2009 - 17h32

Chile: Piñera delega parte de sua fortuna para evitar conflitos éticos

[selo]
SANTIAGO, Chile, 29 Abr 2009 (AFP) - O candidato da oposição à presidência do Chile, Sebastián Piñera, delegou a quatro corretoras da Bolsa a administração de parte de sua fortuna, de 1,2 bilhão de dólares, para evitar conflitos éticos nas eleições de dezembro, embora tenha mantido a propriedade de um estratégico canal de televisão.

Piñera elaborou uma fórmula de 'fideicomisso cego' - disposição testamentária - para se desligar da gestão de grande parte de suas empresas e evitar assim conflitos de interesse durante a campanha eleitoral e um eventual mandato de presidente.

Com esta medida, o candidato da direita se adiantou a um projeto de mesmo sentido que tramita no Congresso, aplacando de saída o principal flanco de críticas a que estava exposto, como um dos homens mais ricos do Chile, com interesses em quase todas as áreas da economia local.

"Não foi uma decisão fácil (...), mas estou feliz por assumi-la, porque tem um sentido amplo: poder dedicar-me de corpo e alma à minha candidatura presidencial e ao futuro governo a que aspiro a liderar", acrescentou.

Quatro corretoras - a do Banco Bice, além de Celfin Capital, LarraínVial e Moneda Asset Management- administrarão as ações que o empresário mantém em 30 sociedades anônimas, com um patrimonio de 400 milhões de dólares.

Cada uma delas, submetidas a intensos controles por parte do governo, administrará um patrimônio de 100 milhõnes de dólares e não poderá informar sobre nenhum aspecto ao empresário, que tampouco poderá dar qualquer instrução - motivo pela qual foi chamada de 'fideicomisso cego'.

Piñera comprometeu-se, além disso, a vender antes de 11 de março do ano que vem - quando assume o próximo presidente do Chile - sua participação (25,13%) na companhia aérea Lan Chile.

O empresário decidiu, em troca, não vender o canal de televisão Chilevisión, adquirido há cinco anos, ao estimar que este tem autonomia e, portanto, não era necessária sua venda.

Tampouco quis desprender-se de sua participação na Blanco y Negro, a sociedade anônima que administra o Colo Colo, o time de futebol mais popular do país.

A decisão de manter o controle de Chilevisión e Colo Colo teriam um carácter estratégico em relação às eleições, segundo o analista Ricardo Israel.

"Ambas as decisões têm um objetivo eleitoral, porque ambas as empresas são estratégicas e ele poderá tomar decisões nessas instituições passíveis de influir na campanha, comentou o analista à AFP.

Os anúncios de Piñera, que perdeu a eleição passada para a socialista Michelle Bachelet, foram saudados pela direita opositora, e receberam muitas críticas da parte de alguns parlamentares, para os quais não houve um desprendimento total de seus bens.

"A Concertación ficou sem argumentos para criticar Piñera", afirmou por sua vez Joaquín Godoy, deputado da Renovação Nacional, o partido do candidato.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host