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01/05/2009 - 09h04

Grécia: um primeiro de maio sob o signo da crise

A Grécia celebrava neste sábado um primeiro de maio sob tensão, marcado por violentos choques com a polícia em Tessalônica e na capital, na véspera do anúncio de um acordo com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional que imporá ao país um tratamento de austeridade para superar a crise.

"Nenhum sacrifício; a plutocracia deve pagar pela crise", dizia uma faixa da frente sindical comunista (Pame), que mobilizou milhares de militantes, em meio a bandeirolas e bolas de gás vermelhas, na praça Sintagma, no centro da capital.

Confrontos entre manifestantes e policiais, que usaram gás lacrimogêneo, foram registrados na capital grega no momento em que uma passeata passava diante do ministério das Finanças.

Em Tessalônica, norte da Grécia, a polícia também recorreu a granadas de gás lacrimogêneo para dispersar grupos de jovens ativistas que apedrejavam bancos e lojas da cidade.

Duzentos e cinquenta manifestantes destruíram dois caixas eletrônicos, a vitrine de uma loja de artigos eletrônicos e um carro de luxo, segundo a polícia.

Cinco mil pessoas participaram da passeata na cidade.

Europeus e o FMI negociam há dias em Atenas com o governo grego o desbloqueio de empréstimos a três anos para ajudar a Grécia a enfrentar uma dívida colossal. Só no primeiro ano, deverão ser concedidos 45 bilhões de euros.

Em troca, pedem ao governo a adoção de novas medidas de austeridade consideradas draconianas pelos sindicatos que as denunciam neste primeiro de maio, de caráter simbólico.

Segundo organizações de trabalhadores, é possível que se exija da Grécia uma economia em dois anos de até 25 bilhões de euros para sanear o déficit público, de modo a baixá-lo de 14% do Produto Interior Bruto (PIB), como foi no ano passado, a 4% no final de 2011. Seria um esforço sem paralelos na zona euro.

Os sindicatos, que convocaram greve geral para quarta-feira, declaram-se dispostos a lutar contra esta terapia de choque, que representa cortes nos salários e acarreta uma reforma não desejada do sistema de aposentadorias.

O primeiro-ministro Georges Papandreou tenta fazer com que os cidadãos aceitem os novos sacrifícios dizendo-lhes que a "sobrevivência da nação" dependia disto.

Este primeiro de maio é comemorado na véspera de um dia crucial para a Grécia. O acordo entre Atenas, a União Europeia e o FMI para a ajuda financeira deverá ser anunciado neste domingo durante uma reunião do conselho de ministros em Atenas, "provavelmente pela manhã".

O presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel reafirmaram neste sábado, durante telefonema, a determinação de "agir rápido", segundo o palácio presidencial francês.

O pacote ficará entre 100 bilhões a 120 bilhões de euros, a serem liberados durante três anos - confirmou a ministra francesa da Economia, Christine Lagarde.

Segundo a revista alemã Spiegel, a Grécia ficará por 10 anos sob controle do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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