! Comércio sem dólar entre Brasil e Argentina sofre com a crise global - 07/05/2009 - AFP - Economia
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07/05/2009 - 10h04

Comércio sem dólar entre Brasil e Argentina sofre com a crise global

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BUENOS AIRES, Argentina, 7 Mai 2009 (AFP) - O comércio entre Brasil e Argentina realizado em pesos e reais, opcional ao dólar, ainda é incipiente e sofre com a crise mundial, confidenciou uma fonte bancária oficial.

O Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) começou a funcionar em outubro do ano passado, por incentivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e sua colega argentina, Cristina Kirchner, simultaneamente aos primeiros sintomas da crise global que golpeou as economias dos dois países.

"Existem 130 empresas que adotaram o SML nos primeiros seis meses, entre elas uma grande montadora radicada em ambos os países e que o aplica para exportações e importações, além de companhias do setor de alimentos, supermercados e de grãos", afirmou a fonte que não quis ser identificada.

No entanto, em São Paulo, o presidente da União Industrial Argentina (UIA), Héctor Méndez, assinalou que a maioria das empresas de seu país "não está usando o mecanismo de moeda local para o comércio bilateral com o Brasil".

"Praticamente não se usa esse mecanismo, apesar dos benefícios que traz, pois, na Argentina, 90% são de pequenas e médias empresas (Pymes) que desconhecem o sistema", argumentou Méndez.

Já as grandes empresas, que comercializam com outros paíeses em dólares, preferem manter suas contas com a moeda americana, acrescentou.

A fonte bancária, em compensação, enfatizou que o SML é uma espécie de mudança cultural. "Foi pensado para ser aplicado a longo prazo e não para responder à conjuntura".

A conjuntura, claro, está dominada pelo impacto da recessão mundial, que fez cair o comércio global argentino-brasileiro em 45% interanual no primeiro bimestre de 2009.

A Argentina registrou um déficit de 4,344 bilhões de dólares em 2008 no comércio com o Brasil, mas o balanço negativo foi de apenas 64 milhões de dólares em dezembro passado, o menor nível desde 2004, devido à redução das operações.

"As companhias na Argentina estão testando o SML com operações que envolvem pequenos montantes, como 10.000 ou 20.000 dólares. Quando comprovarem que o sistema funciona, à medida que podem eliminar os custos cambiais, o utilizarão mais", comentou a fonte oficial.

Enrique Mantilla, presidente da Câmara de Exportadores da Argentina (CERA), afirmou à AFP que o mecanismo deve ser encarado como uma política de longo prazo.

"Trata-se de uma opção para facilitar a vida dos exportadores, mas as condições de conveniência sobre sua utilização são flutuantes. O exportador deve avaliar o custo financeiro, o risco cambial e a influência do uso de insumos importados, entre outros critérios", afirmou Mantilla.

O presidente da CERA concordou que o novo modelo está sendo testado por empresas de diferentes portes, como forma de avaliar na prática seus custos.

Mariano Lamothe, economista-chefe da consultora Abeceb, disse à AFP que não existe uma proliferação em seu uso porque o SML é um sistema novo, executado num momento de grande volatilidade cambiária.

"Os benefícios não são palpáveis ainda para que seja usado no lugar no sistema tradicional de intercâmbio em dólares", afirmou Lamothe ao falar de um sistema cujo volume de negócios ainda não possui estatísticas ou porcentagens confirmadas.

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