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28/05/2009 - 17h51

Tesouro americano faz nova proposta para credores da GM

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WASHINGTON, EUA, 28 Mai 2009 (AFP) - O Tesouro americano acenou com uma nova oportunidade nesta quinta-feira para os credores da General Motors, que na quarta recusaram o plano de reestruturação da dívida da montadora, apresentando uma oferta melhor e lançando uma sutil ameaça de que uma nova recusa pode fazer com que saiam de mãos vazias.

Os credores, que na primeira oferta negaram trocar seus bônus por um total de 10% do capital da GM, agora poderão ter garantias para comprar mais 15% do capital da construtora.

A primeira fase de reestruturação dos 27,2 bilhões de dólares da dívida não garantida da GM fracassou quarta-feira devido à falta de interesse dos investidores, que se consideraram discriminados em relação às demais partes interessadas na empresa, principalmente os sindicatos.

Mas esta nova oferta recebeu um apoio maior, afirmou a GM. O comitê de proprietários de obrigações não garantidas da empresa, que representa quase 20% do total desta dívida, se declarou favorável.

A nova proposta "abre uma possibilidade para que os credores recuperem uma parte maior de seu investimento em relação à oferta anterior", indicou o comitê.

A administração americana anunciou uma nova data limite para que os credores anunciem sua decisão: sábado, 30 de maio, às 17H00 (21H00 GMT).

Se o acordo fracassar novamente, os credores podem perder a maior parte de seu investimento: o Tesoro advertiu que, nesse caso, os bônus novos emitidos para substituir os originais seriam "reduzidos substancialmente ou eliminados".

A nova oferta foi claramente elaborada em um contexto de concordata da companhia, hipótese considerada cada vez mais provável pelas partes envolvidas.

Uma vez declarada a concordata da montadora, os credores terão que se comprometer a apoiar o plano do governo, que prevê a venda dos ativos saudáveis do grupo para uma "nova GM", que se esquivaria rapidamente do processo de quebra.

Entretanto, os ativos tóxicos ficariam na "antiga GM", que seria liquidada judicialmente em um processo que pode durar anos.

Depois da reforma, o Tesouro americano será dono de 72,5% da "nova General Motors", enquanto o fundo de gestão sindical encarregado do financiamento da cobertura médica dos funcionários demitidos ficará com 17%, e os credores da dívida, com 10% (antes de fazer sua opção por novas ações).

A parte que cabe ao Tesouro ainda pode ser reduzida, caso o Canadá também entre na divisão do capital da empresa.

Conforme previsto, o sindicato do setor automotivo UAW receberá na segunda-feira novas ações, correspondentes a 2,5% do capital da montadora.

O Tesouro aportará mais de 50 bilhões de dólares para ajudar a companhia durante sua reforma. Em seu comunicado, os credores destacaram que a nova oferta prevê a transformação de 40 bilhões de dólares em capital fresco, contra os 10 bilhões estipulados no projeto anterior.

O balanço da "nova GM" será muito mais sólido, comemoraram os credores.

Para Cesare de Novellis, da Meeschaert New York, a maior "flexibilidade" dos credores é positiva, mas "não muda as coisas de fato". A GM continua tendo um fluxo de caixa negativo e não consegue se desfazer da Opel. "Quanto mais cedo chegar a concordata, mais cedo poderão reformar a empresa", estimou o analista.

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