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09/06/2009 - 10h58

EUA e Índia lançam apelos pela conclusão da Rodada de Doha em 2010

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NUSA DUA, Indonésia, 9 Jun 2009 (AFP) - Os Estados Unidos e a Índia, que bloquearam ano passado a Rodada de Doha de liberalização mundial do comércio por suas divergências, pediram nesta terça-feira, assim como outras potências desenvolvidas e emergentes, a conclusão total das negociações em 2010.

O apelo recebeu os aplausos de Pascal Lamy, diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Até agora não havíamos recebido este sinal de estaca zero das negociações", declarou após a reunião do Grupo de Cairns, que reúne 19 grandes exportadores agrícolas, entre eles o Brasil, em Nusa Dua, na Indonésia.

"O que consegui aqui é: 'sim, deveríamos concluí-las em 2010'", disse Lamy.

Iniciadas em 2001 na capital do Qatar, a Rodada de Doha tem como objetivo eliminar as tarifas alfandegárias e reduzir os subsídios à agricultura dos países ricos. Mas há anos as negociações vêm se chocando contra as recusas de alguns países de reduzir as tarifas aduaneiras sobre produtos estratégicos para os produtores locais.

"Dois dos principais protagonistas destas divergências, EUA e Índia, se comprometeram a avançar, porque um fracasso da Rodada de Doha não é uma conclusão aceitável", declarou o novo secretário americano de Comércio, Ron Kirk, presente na Indonésia.

"Para os Estados Unidos, uma conclusão de sucesso será um resultado ambicioso e equilibrado com a abertura de novos mercados para todos, e contribuições significativas para a recuperação da economia mundial e o desenvolvimento", acrescentou Kirk.

"Não há obstáculos", acrescentou seu colega indiano, Anand Sharma, após falar com Kirk segunda-feira.

"O que vi foi Ron Kirk e Anand Sharma iniciando claramente um processo que deveria levar à conclusão da rodada em algum momento do ano próximo", disse por sua vez Lamy.

Segundo o diretor geral da OMC, 80% do trabalho já está feito, mas ainda falta superar importantes obstáculos, relativos aos direitos aduaneiros e o acesso a mercados.

Kirk, nomeado em março pelo presidente americano Barack Obama, indicou que novas bases das negociações serão fixadas, em princípio, antes de agosto próximo. O secretário de Comércio disse que se necessita "um novo enfoque" para solucionar as divergências e levar em conta a crise econômica, sem entrar em detalhes.

Para os ministros do Grupo de Cairns, será necessário realizar um encontro em Genebra, sede da OMC, o mais rápido possível, para fixar as condições de retomada das negociações, antes das férias de verão na Europa.

O Grupo de Cairns, que representa 25% do comércio agrícola mundial, disse que está preparando iniciativas diante desta reunião.

Os países do Grupo se disseram por outro lado "profundamente decepcionados" com o anúncio de Washington de novas ajudas ao setor leiteiro, seguindo uma decisão parecida com a da União Europeia.

"A UE e os Estados Unidos devem demonstrar sua liderança anulando estes subsídios à exportação o quanto antes", indicaram em um comunicado final. "Todos os membros da OMC devem resistir à tentação de medidas protecionistas neste contexto difícil" criado pela crise, acrescentou o texto do Grupo Cairns.

O Grupo Cairns é formado por Argentina, Austrália, Bolícia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Filipinas, Guatemala, Indonésia, Malásia, Nova Zelândia, Paquistão, Paraguai, Peru, África do Sul, Tailândia e Uruguai.

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