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08/07/2009 - 13h20

FMI: o pior da crise já passou, mas não se pode baixar a guarda

WASHINGTON, EUA, 8 Jul 2009 (AFP) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta quarta-feira que o pior da crise financeira mundial já passou, mas advertiu que a estabilização que se vislumbra há alguns meses em vários mercados não é suficiente para "baixar a guarda".

O FMI também aumentou em 0,6%, para 2,5%, a previsão de crescimento mundial para 2010, e afirmou que a economia mundial "está começando a sair da recessão".

Em uma atualização de seu relatório sobre a estabilidade financeira no mundo, o FMI destacou uma redução das tensões em relação aos níveis extremos observados em abril, na primeira publicação deste documento.

As intervenções sem precedentes dos bancos centrais e dos governos reduziram os riscos extremos de outra falha sistêmica comparável ao desmoronamento do banco de investimentos americano Lehman Brothers, destacou a organização multilateral.

"Mas as recentes melhorias no terreno financeiro criam um risco no sentido que nos veríamos tentados a baixar a guarda", adverte o documento, enfatizando que é preciso manter a vigilância.

Em alusão à forte recuperação das bolsas mundiais desde março, o FMI indica que "há um risco de que os mercados registrem um sério revés se anteciparem demasiadamente o ritmo da recuperação econômica".

Em seu informe de abril, o FMI havia cifrado em 4,054 trilhões de dólares o custo da crise para as instituições financeiras mundiais.

Agora não modificou esta avaliação, mas deu a entender que a fatura final poderá ser menor graças à recuperação das valorizações dos ativos pela recuperação dos mercados financeiros.

No entanto, não se pode abandonar o projeto de comprar dos bancos seus ativos podres acumulados durante a última "bolha" especulativa, como parece que o governo americano está tentando fazer.

Ao revisar em 0,6%, para 2,5%, a previsão de crescimento mundial para 2010, o FMI mostrou seu otimismo quanto ao fato de que a economia mundial "está começando a sair da recessão".

"A economia mundial está começando a sair de uma recessão sem precedentes desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas a estabilização é desigual e a recuperação será provavelmente tímida", escreveu o FMI, advertindo sobre o fato de que "a recessão ainda não acabou".

"As condições financeiras melhoraram muito mais que o esperado, basicamente devido à intervenção estatal, e os dados recentes sugerem que a taxa de queda da atividade econômica está moderada, apesar das variações entre as regiões",a crescentou.

"Mas, mesmo com esses sinais positivos, a recessão global não acabou e ainda se espera que a recuperação seja lenta", advertiu o organismo.

Entre as principais economias, o FMI espera que os Estados Unidos e o Japão cresçam mais que o esperado: a economia americana cairia este ano 2,6% em 2009, levemente a menos que o estimado anteriormente, e crescerá 0,8% no próximo ano, ao invés do crescimento nulo calculado em abril.

Para o Japão subiu para 1,7% sua previsão de crescimento em 2010, uma alta de 1,2 ponto percentual. Para este ano, segunda maior economia do mundo cairia 6,0%, ao invés de 6,2% estimado no início do ano.

Já o Brasil tem uma previsão de crescimento negativo (-1,3%) em 2009, sem alteração em relação ao informe anterior, e de +2,5% (revisão de +0,3) em 2010.

Para 2009, o Fundo prevê uma contração da atividade econômica mundial de 1,4%, ou seja, 0,1% a mais do que antecipara em abril.

O FMI ainda antecipou para 2009 uma queda mais importante que o previsto do volume do comércio mundial de bens e serviços, de 12,2% no total, mas também previu um aumento um pouco maior que o esperado em 2010, de 1,0%.

Segundo a instituição, os países ricos "não deverão ter uma recuperação significativa da atividade antes do segundo semestre de 2010". Entretanto, elevou consideravelmente, em 1,2%, a previsão de crescimento para o Japão, a segunda maior economia mundial, que deverá atingir 1,7% em 2010.

O volume do comércio mundial de bens e serviços, por sua vez, cairá mais que o previsto em 2009, 12,2%, e melhorará também mais que o previsto em 2010 (1,0%), prognosticou o Fundo,

Segundo o FMI, o volume do comércio mundial de bens e serviços deve cair 12,2% (o que equivale a 1,2 ponto a mais que o previsto anteriormente) em 2009, e depois se recuperará 1,0% (ou seja, 0,4 ponto a mais que o antecipado no informe anterior) em 2010.

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