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09/07/2009 - 11h39

Como Hollywood usa e aproveita a internet ao invés de combater a rede

NOVA YORK, EUA, 9 Jul 2009 (AFP) - A internet significa praticamente a morte para a indústria fonográfica, mas os estúdios de cinema e televisão têm conseguido explorar a rede com sucesso, obtendo resultados ainda melhores que alguns pioneiros do novo meio.

Neste sentido é emblemático o fracasso do site de vídeos independente Joost, que decidiu na semana passada mudar seu modelo econômico para se transformar em um simples portal.

Fundado em 2007 por especialistas em troca de arquivos de pessoa para pessoa (peer-to-peer), o Joost terminou por aceitar que não alcançou a massa crítica para obter um faturamento suficiente.

Durante este tempo, os sites financiados ou diretamente dirigidos por estúdios de Hollywood prosperaram, como é o caso do Hulu, uma página de vídeos com participação dos canais NBC e Fox e ao qual o grupo Disney se uniu em abril.

O Hulu atingiu o terceiro lugar dos sites de vídeos mais visitados nos Estados Unidos. Apesar de estar muito atrás do YouTube (da Google), que ainda é essencialmente um site em que fãs compartilham videoclipes, está muito próximo dos sites da Fox (de News Corporation).

"Os canais de televisão, de modo muito sensato, eram um espaço à web", explica à AFP Joe Turro, professor da Escola Annenberg de Comunicação na Universidade da Pensilvânia.

"A princípio, há três ou cinco anos, os canais de televisão ignoravam a internet", recorda Paul Levinson, da Universidade Fordham de Nova York.

Em seguida se preocuparam com os riscos da pirataria e decidiram usar a internet com duas finalidades: como uma ferramenta de promoção dos próprios programas e como nova fonte de faturamento publicitário, o que era necessário para evitar compartilhar com outros operadores na medida do possível.

"Em nosso tempo é necessário estar presente na internet, não deixar que outros estejam em seu lugar", explica Levinson.

Além disso, os estúdios têm os medios para capitalizar sua imagem de marca.

"Os sites das grandes redes, com suas séries já conhecidas, são interessantes para muitos anunciantes", afirma Turro.

"No YouTube, os anunciantes às vezes têm medo de fazer publicidade porque nunca sabem em que conteúdo esta vai parar, porque temem se ver com problemas".

O YouTube conhece bem a ameaça: a Google busca desesperadamente rentabilizar esta cara aquisição (que custou 1,65 bilhão de dólares em 2006) e anunciou em abril acordos com Sony Pictures, MGM, CBS, Starz, Lionsgate e outros estúdios para difundir a programação e obter assim um novo formato publicitário.

O risco para os estúdios é a "canibalização", teme Andrew Frank, da consultoria Gartner.

"Suponho que quando o Hulu tiver publicidade suficiente começará a competir com a televisão. Isto poderá se transformar em um problema para os estúdios, que não querem canibalizar sua melhor fonte de recursos".

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