! Felaban: América Latina será uma das primeiras regiões a sair da crise - 14/07/2009 - AFP - Economia
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14/07/2009 - 13h34

Felaban: América Latina será uma das primeiras regiões a sair da crise

MADRI, Espanha, 14 Jul 2009 (AFP) - A América Latina será uma das primeiras regiões a sair da crise econômica mundial, afirmou nesta terça-feira o presidente da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban), o brasileiro Ricardo Marino, que também advertiu, porém, contra o excesso de gastos para estimular a recuperação.

"A América Latina será uma das primeiras regiões do mundo a participar deste ciclo de recuperação", garantiu Marino, no fim de um seminário de dois dias em Madri sobre "o papel dos bancos na recuperação das economias iberoamericanas".

"Estamos atualmente numa situação de recessão, mas ela será inferior à média mundial. O Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina cairá 2,3% a 3%, ou seja, muito menos que o de outras regiões como a Europa e a Europa Oriental", afirmou.

A União Europeia registrou uma contração de 4,7% do PIB entre o primeiro trimestre de 2008 e o primeiro trimestre de 2009, segundo dados da Eurostat.

Da mesma forma, o PIB dos Estados Unidos recuou 5,5% nos três primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o departamento do Comércio. O PIB do Japão teve uma queda de 14,2% de um período para o outro, segundo dados oficiais.

"A América Latina está numa posição privilegiada: nenhuma instituição financeira faliu, não tivemos ativos podres em excesso e os bancos têm reservas de sobra para encarar a crise", explicou Marino.

"Agora, precisamos adotar uma atitude prudente quanto à gestão do crédito, avaliar os riscos com mais cuidado, para sair desta situação de crise mais rapidamente que os países desenvolvidos", prosseguiu.

"Aprendemos muito com as crises do passado. Os bancos são hoje parte da solução, e não do problema, já que minimizam os efeitos da crise", acrescentou.

O presidente da Felaban ainda fez uma advertência aos governos, alertando para a tentação de gastar de forma desenfreada para estimular a economia.

"As ações dos governos e os incentivos fiscais que estão sendo criados para diminuir o impacto da crise afetarão as contas futuras e as políticas fiscais", alertou Marino, pedindo "prudência fiscal".

"Gastar só por gastar pode levar a uma situação de perda de controle", avisou o brasileiro, explicando que estes gastos desenfreados "só dão resultados a curto prazo". "É preciso pensar mais em investimentos", como infraestruturas, sentenciou.

Para Marino, a boa saúde dos bancos latino-americanos se tornou "uma vantagem competitiva" para a região.

"A América Latina está numa boa posição para iniciar seu processo de recuperação, mas esta será lenta, e progressiva", destacou Marino.

"Contudo, mesmo que a região supere a crise mais rapidamente que as demais, ela precisará da recuperação dos países ricos e emergentes para continuar crescendo", acrescentou.

O brasileiro também insistiu na noção de solidariedade. "O mundo terá mais 30 milhões de desempregados, e mais 55 a 90 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema. Não se pode crescer sem mostrar solidariedade e incluir estas pessoas", lembrou.

Marino pediu uma ação coordenada de todos os atores econômicos e sociais "para terminar de enfrentar a crise".

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