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21/07/2009 - 14h38

EUA: Bernanke promete juros baixos durante longo período

WASHINGTON, EUA, 21 Jul 2009 (AFP) - O presidente do Federal Reserve dos Estados Unidos, Ben Bernanke, disse nesta terça-feira no Congresso que o banco central americano manteria muito baixas as suas taxas de juros durante um longo período, apesar da melhora da conjuntura e da necessidade de elevá-las no futuro.

"À luz do marasmo econômico considerável e das pressões inflacionárias limitadas, a política monetária continua concentrada sobre o fato de favorecer a retomada econômica", declarou em seu depoimento semestral diante dos parlamentares sobre o estado da economia.

"O Fed acredita que uma política monetária muito flexível será adequada durante um longo período", continuou, reiterando seu comprometimento em manter a taxa de juros em seu nível atual, próximo de zero.

Segundo Bernanke, houve uma "melhora significativa" da conjuntura econômica nos últimos meses, mas que existe o risco de a estabilização recente do consumo se revelar efêmera.

Os Estados Unidos, que entraram em recessão em dezembro de 2007, esperam ainda uma retomada da atividade econômica. O país enfrenta um aumento espetacular do desemprego (9,5% em junho, o mais alto desde 1983), um nível de crédito considerado insuficiente pelas autoridades monetárias, e um setor imobiliário em pleno marasmo.

"A insegurança do emprego, somada á queda do valor do imobiliário e a escassez do crédito, deve limitar os ganhos no consumo", destacou no Congresso.

O Fed prevê que o desemprego (9,6% em junho) registre um "pico no fim do ano" (entre 9,8% e 10,1%) continuando em seguida "bem acima" do nível que deseja. Em contrapartida, a inflação não é considerada um risco a curto prazo.

"O depoimento revela que Bernanke continua sendo prudente com relação à retomada econômica", comentou Marie-Pierre Ripert, da Natixis, dizendo que era, entre os dirigentes do banco central, um dos mais favoráveis a taxas mais baixas.

"O destaque dado por Bernanke à deterioração do mercado de trabalho leva a pensar que a política monetária não deve ser reajustada enquanto o desemprego não começar a cair", afirmou Ian Shepherdson, da HFE Economics.

"Nos nossos cálculos, isso significa em 2011 o mais cedo", acrescentou.

Em uma questão mais urgente do que o aumento das taxas, segundo ele, Bernanke pediu ao Congresso que contenha o déficit orçamentário dos EUA, sob pena de não ter nem estabilidade financeira nem crescimento econômica duradoura.

"Atacar os problemas orçamentários do país vai exigir escolhas difíceis, mas atrasar as escolhas as tornarão ainda mais difíceis", insistiu o presidente do Fed.

Bernanke também falou com vigor pela independência da política monetária do banco central, garante segundo ele estabilidade econômica e financeira para o país.

Um projeto parlamentar propõe submeter o Fed a auditorias regulares do Congresso.

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