! Remessas de dinheiro para a América Latina terão queda de 11% neste ano, diz BID - 12/08/2009 - AFP - Economia
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12/08/2009 - 13h34

Remessas de dinheiro para a América Latina terão queda de 11% neste ano, diz BID

WASHINGTON, EUA, 12 Ago 2009 (AFP) - As remessas de dinheiro enviadas à América Latina registrarão queda de 11% este ano devido à crise econômica mundial, o que afetará quatro milhões de habitantes da região, advertiu nesta quarta-feira o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

De acordo com estudo do BID e do centro de análises Diálogo Interamericano afirmou que a América Latina deve receber este ano 62 bilhões de dólares em remessas, especialmente de EUA, Espanha e Japão, países que foram duramente atingidos pela crise, indicou um comunicado do banco.

Em 2008, a região recebeu 69,2 bilhões de dólares em remessas, segundo dados do BID.

Este ano será a primeira vez que as remessas diminuirão, depois de uma década de contínuo crescimento.

A quantia de remessas esperada para este ano é similar a de 2006, indicou o BID.

As estimativas do BID são muito mais pessimistas do que a de outros órgãos multilaterais. O Banco Mundial destacou em julho que previa uma redução de 6,9% nas remessas que a América Latina recebe, enquanto o Sistema Econômico Latino-Americano (SELA) calculou queda de 7% em maio.

O BID advertiu que o país mais afetado pela queda este ano será o México, que é o maior receptor de remessas da região, com captação de um terço delas.

"A crise claramente está limitando a capacidade dos emigrantes para enviar dinheiro a seu país de origem", destacou o presidente do banco, Luis Alberto Moreno.

"No entanto, as remessas caíram menos do que outros fluxos financeiros privados à região, pois os emigrantes continuam fazendo sacrifícios para ajudar suas famílias", destacou.

A queda das remessas, que caíram 15% no segundo trimestre de 2009, se tornou mais evidente no México e no Caribe, mas foi mais contida na América Central, a região andina e o Cone Sul, indicou o BID.

Isto significa um alívio para países centro-americanos, onde as remessas representam uma boa parte do PIB.

As remessas enviadas dos EUA este ano chegarão a 42,3 bilhões de dólares, para uma contração de 11%, enquanto que da Europa serão 9 bilhões, uma redução mais pronunciada, de 14%.

O envio de dinheiro de outras partes do mundo será de 10,4 bilhões de dólares, uma queda de 4,5% em relação ao ano passado.

Os imigrantes nos Estados Unidos reduziram em 2009 o número de envios ao ano, de 15 para 12, assim como a quantia em dinheiro enviada em média, que diminuiu de 241 dólares para 230 dólares, segundo pesquisa realizada entre imigrantes nos Estados Unidos.

Mas os imigrantes continuam se esforçando para mandar dinheiro, inclusive fazendo uso de suas poupanças, revelou a pesquisa, realizada entre março e junho, com 1.350 imigrantes latino-americanos e caribenhos.

Do total, 34% dos entrevistados disseram que pretendem voltar a seu país de origem em um futuro próximo, contra 20% que haviam manifestado esta intenção ano passado.

O relatório do BID revelou que a enorme redução observada nos custos das transferências de dinheiro, começou a se reverter.

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