! Ásia inicia retomada econômica antes dos EUA e da Europa - 19/08/2009 - AFP - Economia
UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

19/08/2009 - 11h43

Ásia inicia retomada econômica antes dos EUA e da Europa

CINGAPURA, Cingapura, 19 Ago 2009 (AFP) - A Ásia iniciou a retomada econômica bem à frente dos Estados Unidos e da Europa graças a seus planos de recuperação de bilhões de dólares e a uma sólida demanda na China, afirmam os analistas.

Os indicadores do segundo trimestre revelaram que as economias da região atingidas pela recessão, como Cingapura e Hong Kong, já começaram a se recuperar, apesar da frágil demanda vinda de seus principais mercados de exportação, os EUA e a Europa.

Os países mais povoados, como a China, a Índia, a Indonésia, a Coreia do Sul, as Filipinas e o Vietnã, continuaram em contrapartida crescendo, mesmo no pico da crise econômica mundial, mas seu ritmo sofreu desaceleração.

O Japão, segunda economia mundial, saiu da recessão no segundo trimestre, uma retomada que o primeiro-ministro Taro Aso atribuiu ao crédito do plano de retomada governamental.

Ao contrário, neste mesmo período, o PIB (Produto Interno Bruto) americano recuou 1%, enquanto na zona do euro, que conseguiu um pouco mais que o esperado, o crescimento foi de 0,1%, puxado pelas retomadas alemã e francesa.

A agência Standard and Poor's (S&P) indicou que somente cinco das 14 economias da Ásia-Pacífico estudadas devem ter resultados positivos neste ano.

Em contrapartida, o conjunto das 14 deve registrar um crescimento no próximo ano, alimentadas por uma expansão chinesa de 8% - 8,5% em relação a este ano, segundo as previsões.

A economia americana deve recuar 2,9% neste ano, antes de voltar a crescer 1,5% em 2010, segundo cálculos da S&P.

Segundo os analistas, o impacto sobre a Ásia da crise no mercado americano tende a demonstrar que as fortunas da região continuam amplamente ligadas ao Ocidente e que não há retomada completa sem restabelecimento das economias dos países industrializados.

No entanto, a velocidade e a potência da retomada na Ásia revelam que a região não depende mais, como antes, da economia americana.

"O que parece é que, se os EUA eram um contribuinte muito significativo do crescimento asiático, esse papel foi reduzido com o tempo", indicou recentemente Subir Gokarn, chefe da S&P para a Ásia-Pacífico em entrevista à imprensa em Cingapura.

"A capacidade da região asiática de adotar seus instrumentos de política interna, assim como tirar partido do mercado regional em crescimento, lhe permite sair na frente, em termos de retomada, dos EUA e da Europa", disse.

Os enormes planos de retomada adotados pelos governos asiáticos, de um total de US$ 1 trilhão, dos quais US$ 585 bilhões somente pela China, para encorajar a demanda interna, tiveram um papel decisivo, protegendo a região da recessão, afirmou Gokarn.

"Os governos asiáticos enfrentaram a crise com uma poderosa posição fiscal e uma dívida relativamente baixa que lhes permitiu reagir rápida e agressivamente", declarou à AFP Mark Williams, consultor do gabinete Capital Economics.

Segundo Williams, as economias asiáticas dependentes das exportações como Cingapura, Malásia e Hong Kong não devem encontrar com certeza níveis elevados de crescimento a médio prazo.

Mas apesar da velocidade do crescimento asiático, o especialista afirmou que a economia dos EUA manterá sua predominância no mundo.

"Os EUA são ainda a primeira economia do mundo, e longe na frente, eles dominam organizações como o FMI e podem assim manipular a reforma econômica mundial como nenhuma outra nação", afirmou.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host