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21/08/2009 - 15h31

Federal Reserve: recuperação à vista, mas persistem grandes desafios

WASHINGTON, EUA, 21 Ago 2009 (AFP) - A economia americana evitou o pior e parece estar se estabilizando, com boas perspectivas de recuperação a curto prazo, mas a reativação pode começar lentamente porque persistem grandes desafios, prognosticou nesta sexta-feira Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, o banco central americano.

Além da declaração do chefe do Fed, a outra boa notícia desta sexta-feira foi o anúncio do aumento das vendas de imóveis usados nos Estados Unidos, o que parece confirmar que a recuperação do mercado da habitação, a geradora da crise.

A venda de imóveis usados aumentou mais que o previsto em julho, subindo 7,2% em relação a junho, alcançando 5,24 milhões de unidades em ritmo anual, segundo cifras publicadas pela Associação Nacional de Agentes Imobiliários (NAR).

Já Bernanke reiterou que a recuperação pode "ser lenta no início", em consequência das tensões que persistem, principalmente sobre o consumo das famílias americanas.

"Apesar de termos evitado o pior, ainda nos esperam grandes desafios", advertiu Bernanke, em um discurso pronunciado numa reunião de economistas organizado pelo Banco Central em Jackson Hole (Wyoming).

"A atividade econômica parece estar se estabilizando, tanto nos Estados Unidos como no exterior, e as perspectivas de um retorno do crescimento a curto prazo parecem boas", afirmou chefe do Fed, em seu discurso intitulado "Reflexões sobre um ano de crise".

Depois de quatro trimestres consecutivos de declínio do produto interno bruto (PIB), muitos economistas prevêem que a retomada da economia dos EUA comece no final de setembro, ou mesmo que já esteja em curso.

Bernanke falou também de uma forte diminuição da utilização dos recursos de ajuda excepcionais colocados à disposição pelo Fed para estabilizar o sistema financeiros, interpretando-o como um sinal animador sobre a saúde dos bancos.

Citando especificamente o "pânico" financeiro de setembro e outubro de 2008, Bernanke insistiu que os bancos atribuíssem mais importância à gestão dos riscos de liquidez, como recomendou o Comitê de Supervisão Bancária de Basiléia.

O chefe do Fed reconhece ainda que a crise teve "um enorme custo humano e econômico", e que, diferente de outras crises do passado, "os líderes dos Estados Unidos e do mundo reagiram rapidamente e com determinação".

"Apesar desses avanços, ainda existem grandes desafios: as tensões persistem em muitos mercados financeiros globais, maiores prejuízos ameaçam as instituições financeiras e muitas famílias e empresas continuam a enfrentar grandes dificuldades na obtenção de empréstimos", acrescentou.

"Devido a estes e outros fatores, a recuperação econômica deve ser relativamente lenta no início, a taxa de desemprego deverá diminuir gradualmente", segundo as últimas previsões Fed.

De qualquer forma, afirmou que as ações do governo para prevenir falências desordenadas continuam sendo necessárias, mas, no geral, afirmou que as ações implementadas nos últimos meses ajudaram a estabilizar vários mercados financeiros-chave, tanto nos Estados Unidos como no exterior.

Ao olhar para trás e analisar a crise de dois anos, Bernanke afirmou que seus efeitos sugerem que a queda do crescimento global pode ser mais profunda e prolongada.

O Federal Reserve tomou medidas radcais para conter a contração, como reduzir sua taxa básica a quase zero e injetar milhões de dólares no sistema financeiro, recordou.

Analistas, funcionários e especialistas esperam que os Estados Unidos deixem para trás a recessão no terceiro trimestre depois de seis meses de contração.

Alemanha e França, as maiores economias da Europa, conseguiram crescer no segundo trimestre depois de retroceder durante 12 meses.

A região se uniu assim à recuperação evidenciada pela China e Japão e outras partes da Ásia.

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