! Sinais de recuperação mundial se multiplicam - 02/09/2009 - AFP - Economia
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02/09/2009 - 14h00

Sinais de recuperação mundial se multiplicam

PARIS, França, 2 Set 2009 (AFP) - Os sinais de recuperação da atividade econômica no mundo vêm se multiplicando nos últimos dias, alimentando a esperança do fim da crise.

As Bolsas e alguns chefes de Estado, entre os quais o presidente americano Barack Obama, se animaram com a melhora, mesmo que o desemprego continue crescendo.

O muito aguardado indicador da atividade industrial nos Estados Unidos, publicado na terça-feira, mostrou crescimento, em agosto, após 18 meses de baixa. Segundo este barômetro, a máquina industrial americana teria voltado ao nível que ocupava antes da crise dos créditos imobiliários. Para Obama, isso constitui "um sinal de que estamos no caminho da recuperação econômica".

Outro sinal animador é a estabilização do mercado imobiliário, com um nítido aumento das promessas de vendas da casa própria em julho.

"O crescimento da atividade industrial americana pode sustentar a recuperação mundial", resume uma nota de Rob Carnell & Dimitry Fleming, da ING.

Na zona euro, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,2% no segundo trimestre, marcando um quinto trimestre seguido de recuo, mas o ritmo de queda diminuiu muito em comparação com a despencada de 2,5% registrada nos três primeiros meses de 2009.

Para a surpresa de todos, as duas maiores economias da zona euro, a Alemanha e a França, registraram uma volta do crescimento no segundo trimestre.

A Alemanha anunciou na semana passada um crescimento de 0,3% no segundo trimestre, após um ano de baixa. Viu também uma nova subida em agosto do barômetro de confiança Ifo, o principal indicador do ambiente dos negócios.

Contrariando todas as previsões, a França anunciou em meados de agosto um crescimento de 0,3%, depois de quatro trimestres no vermelho. A indústria francesa também registrou pelo segundo mês consecutivo um leve crescimento de sua atividade.

Na China, o crescimento voltou a 7,9% em ritmo anual no segundo trimestre contra 6,1% no primeiro trimestre (seu nível mais baixo em dez anos) e o governo previu 8,5% para o terceiro trimestre.

Na Índia, onde o crescimento desacelerou no segundo trimestre mas permanece forte, em 6,5%, o primeiro-ministro, Manmohan Singh, antecipou "um lento retorno ao normal nos próximos meses" e um crescimento de 8% em 2010-11.

O Canadá voltou a crescer em junho, pela primeira vez em quase um ano. Até a Austrália teve um segundo trimestre consecutivo de crescimento (+0,6% entre abril e junho).

Estes dados positivos são abalados pelo aumento do desemprego, que costuma reagir com atraso à evolução da conjuntura e que deve, segundo os economistas, continuar subindo por mais algum tempo.

Nos Estados Unidos, o setor privado destruiu mais 298.000 empregos em agosto, mas o ritmo de supressões de postos de trabalho "está claramente diminuindo", segundo um estudo do gabinete de recursos humanos ADP publicado nesta quarta-feira.

Na zona euro, o desemprego atingiu 9,5% em julho, seu nível mais alto em uma década, com mais de 15 milhões de desempregados, de acordo com a Eurostat. Contudo, a onda de demissões parece estar diminuindo de intensidade.

Alguns países continuam no marasmo, sobretudo a Espanha, onde o desemprego chegou a 18,5%, só devendo se reencontrar com o crescimento em 2010.

O aumento do desemprego "é limitado em vários países pelas medidas aplicadas pelos governos", "os empresários estão mais confiantes" e "as empresas parecem menos propensas a suprimir empregos", observou Howard Archer, do instituto IHS Global Insight.

No entanto, o desemprego ameaça seriamente as perspectivas de crescimento pois "contribui para impedir o aumento dos salários", ponderou.

Além disso, ninguém sabe como vai reagir a economia quando os planos de recuperação chegarão ao fim.

Ainda é cedo para suspender as medidas de recuperação na Europa, mesmo que o pior da crise pareça ter passado, advertiu nesta quarta-feira o líder dos ministros das Finanças da zona euro, Jean-Claude Juncker.

As estratégias de saída da crise e o fim das medidas de recuperação serão discutidas durante a cúpula do G20 em Pittsburgh (EUA), prevista para os dias 24 e 25 de setembro.

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