! França modificará sistema estatístico baseado no PIB depois de informe Stiglitz - 14/09/2009 - AFP - Economia
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14/09/2009 - 12h01

França modificará sistema estatístico baseado no PIB depois de informe Stiglitz

PARIS, França, 14 Set 2009 (AFP) - A França quer medir melhor o crescimento de sua economia e, para isso, modificará seu sistema estatístico baseado até agora no indicador de referência, o PIB, segundo as recomendações de uma comissão presidida por Joseph Stiglitz, divulgadas por ocasião de um ano da crise financeira que abalou o mundo.

"A França vai adaptar seu próprio aparato estatístico", anunciou o presidente Nicolas Sarkozy em um discurso pronunciado em Sorbonne e centrado nas conclusões do informe de 22 especialistas chefiado pelo Prêmio Nobel de Economia, o americano Joseph Stiglitz.

"No mundo todo, os cidadãos acham que se mente para eles, que as cifras são falsas e, o que é pior, que são manipuladas", afirmou Sarkozy, criticando o que chamou de "religião das cifras".

O PIB, indicador que nasceu em meados de 1930 nos Estados Unidos e que foi adotado em todo mundo depois da Segunda Guerra, reflete o valor total da produção de bens e serviços em um país em um determinado período.

Para Sarkozy, utilizar somente a "média é uma maneira de jamais falar das desigualdade". Ele pediu que o Instituto Nacional de Estatísticas (INSEE) que inicie uma reflexão sobre a modificação em questão.

Em seu informe, a comissão propõe um sistema estatístico que "complete a medição da atividade mercantil com dados referentes ao bem-estar das pessoas".

Faltando 10 dias para que os países mais industrializados e as economias emergentes se reúnam na Cúpula da G20 em Pittsburgh (EUA), nos dia 24 e 25 de setembro, Sarkozy também anunciou que incentivará o debate sobre as conclusões do relatório Stiglitz "em todo o mundo".

"A França lutará para que todas as organizações internacionais modifiquem seu sistema estadístico", enfatizou.

O objetivo da comissão presidida por Stiglitz, cuja formação foi determinada por Sarkozy em fevereiro de 2008, era identificar e paliar os limites do PIB como indicador de resultados econômicos e progresso social.

Stiglitz, crítico do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird), foi economista-chefe do Bird até 2000.

"O relatório não substitui um indicador econômico por outro e sim rompe com os indicadores únicos, com o pensamento único", afirmou Sarkozy nesta segunda, justamente quando completa um ano que o banco americano Lehman Brothers entrou em colapso, levando o mundo a um crise financeira planetária.

A percepção dos franceses em relação ao futuro, no entanto, não é muito otimista. Segundo pesquisa publicada no Liberation, 91% acham que poucas coisas mudaram e que a uma crise parecida pode voltar a acontecer.

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