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15/09/2009 - 16h45

Chefe do banco central americano diz que tecnicamente a recessão acabou

WASHINGTON, EUA, 15 Set 2009 (AFP) - O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, afirmou nesta terça-feira que, do ponto de vista técnico, a recessão provavelmente acabou, mas que a economia deverá permanecer fragilizada durante algum tempo.

Falando num foro em Washington por ocasião do aniversário simbólico do início da crise mundial, Bernanke disse que provavelmente a economia vai registrar um crescimento no terceiro trimestre.

"Tecnicamente, a recessão muito provavelmente já acabou, mas a economia deve permanecer frágil durante algum tempo e muita gente perceberá que a segurança de seu posto de trabalho e seu status trabalhista não é a que gostaria", ressaltou.

"Em consequência, é um desafio que se apresenta para nós", alertou.

Essa grande falência é considerada o elemento desencadeador de um pânico financeiro, que, embora tenha sido contida graças à mobilização rápida e sem precedentes dos poderes públicos, precipitou a queda da economia norte-americana na recessão nove meses antes.

Levando-se em consideração a prudência habitual de Bernanke, sua declaração significa o reconhecimento de que a recessão mais longa já enfrentada pelos Estados Unidos desde 1945 terminou efetivamente, assim como revelou as minutas da última reunião do Comitê de Política Monetária do Fed divulgadas no dia 9 de setembro.

Bernanke reiterou o prognóstico do banco central, segundo o qual a recuperação poderá ser muito lenta e o desemprego corre o risco de subir até o final do ano e durante boa parte de 2010.

Apesar disso, Bernanke viu sinais "encorajadores" para os bancos norte-americanos, que, segundo ele, são menos dependentes dos programas especiais estabelecidos por sua instituição frente à crise.

A tarefa de indicar uma data para o fim da recessão norte-americana cabe oficialmente a um centro de pesquisas privado, o Birô Nacional de Pesquisas Econômicas (NBER), mas há um consenso entre os economistas de que a crise econômica terá fim em agosto.

O secretário do Tesouro norte-americano Timothy Geithner considerou no início de setembro que a retomada havia começado, embora muito lentamente.

Na segunda-feira, o Tesouro estabeleceu as bases da redução do apoio ao sistema financeiro do país. Alguns de seus programas adotados após o que os especialistas começam a chamar de Grande Pânico de setembro de 2008, estão prestes a chegar ao fim.

No entanto, considerou o Tesouro, "há ainda uma forte necessidade de se manter algumas políticas de apoio extraordinárias instituídas" contra a crise, "a normalização dos mercados financeiros, atualmente, é apenas parcial e frágil, e a retomada econômica é, na melhor das hipóteses, apenas nascente".

Os programas de apoio à liquidez e ao crédito estabelecidos pelo Fed com centenas de bilhões de dólares ainda estão sendo adotados e alguns deles foram prolongados para depois do final do ano.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (FOMC) deve se reunir nos dias 22 e 23 de setembro. As discussões serão realizadas em torno do melhor meio de reduzir a ajuda do banco central da maneira mais branda para a economia, no momento apropriado.

O presidente norte-americano Barack Obama descartou na segunda-feira um novo plano de relançamento orçamentário após o de 787 bilhões de dólares promulgado em fevereiro. Mas as autoridades norte-americanas, assim como as de outros países desenvolvidos ou emergentes do G20, consideram que ainda é muito cedo para que o Estado federal abandone a economia a sua própria sorte.

"Será necessário ainda tempo para sairmos dela", declarou Geithner nesta terça-feira à rede ABC, considerando que não há remédio "imediato" que permita regular tudo "rápida e facilmente".

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