! A crise não desfila nas passarelas de Nova York - 17/09/2009 - AFP - Economia
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17/09/2009 - 16h59

A crise não desfila nas passarelas de Nova York

NOVA YORK, EUA, 17 Set 2009 (AFP) - O planeta inteiro ainda se debate em meio a uma recessão que ninguém sabe se acabou ou não, mas isso não importa nas passarelas de Nova York: o ritmo dos desfiles de prêt-à-porter Primavera-Verão 2010 continua acelerado, e os especialistas acreditam em um futuro muito melhor.

"Temos mais coleções este ano do que no ano passado", assegura Fern Mallis, vice-presidente do grupo IMG Fashion, que produz a Semanas de Moda de Nova York desde 2001.

"Foi a mídia que desanimou os compradores, deveriam ter dito aos consumidores", disse Mallis. "Se trata de moda, da moda que transforma a sua vida, tornando você mais desejável, que destaca você, que te faz conhecer gente, isso é a moda", afirmou o empresário à cerca de vinte jornalistas estrangeiros em uma entrevista coletiva em salão privado do Bryant Park, no coração de Manhattan.

"Se forem 40 looks em vez de 50 em uma coleção, isso não muda nada do resultado final, é normal que um pouco dos custos sejam cortados", reconhece Mallis. "E para os criadores estrangeiros, o Bryant Park é a Ilha Ellis da moda", acrescentou, evocando a ilha símbolo da imigração nos Estados Unidos, no rio Hudson.

De manhã cedo até a noite, no Bryant Park e em outros locais de Nova York, os desfiles acontecem a todo vapor, e a criatividade aflora em todo lugar.

Marc Jacobs apresentou uma coleção à altura de sua reputação.

Na segunda-feira, as modelos exibiram os looks do queridinho das celebridades em um antigo paiol de Manhattan, transformado em um grande espaço branco para a ocasião, que incluíam roupas estampadas coloridas, bermudas com babados e vestidinhos retrôs.

Na cabeça das mulheres, grandes laços, nova mania do estilista e grande tendência da temporada, em tecidos brilhantes, em seda azul, rosa e laranja, salpicados com pequenas pérolas.

"Não estamos aqui somente para vender roupas, se trata de dar às pessoas material para sonhar", disse o estilista ao periódico Women's Wear Daily. "Claro que vemos a crise na cidade", disse à AFP Suzy Menkes, cronista de moda do International Herald Tribune. "As tendas estão vazias, tudo foi rebaixado. Mas isso não se vê, de jeito nenhum, nas passarelas", acrescentou.

"Não vou falar da economia, somente de coisas positivas", disse à AFP Nicole Fischelis, vice-presidente e diretora de moda do grupo Macy's. "Somos muito otimistas, agosto e setembro mostraram que a tendência é boa. Os Estados Unidos são um país de 'fazedores', de pessoas que atuam.

A temporada será extraordinária porque oferecemos muitas opções diferentes, vamos dar aos nossos clientes não só o que eles querem, mas também o que não esperam", acrescentou Nicole.

Catherine Malandrino apresentou uma coleção alternando seus famosos vestidos ajustados com calças pantalonas ou corsário, enquanto Philip Lim mostrou uma série de vestidos cinzas e marfins com detalhes de lurex, combinados com jaquetas curtas de couro.

Nesta quinta-feira, último dia da temporada, é a vez de dois criadores americanos clássicos apresentarem suas coleções: Ralph Lauren e Calvin Klein. Assim será encerrada a Semana de moda de Nova York, que brincou com a crise e provou, mais uma vez, sua criatividade e jovialidade.

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