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21/09/2009 - 16h27

Mesmo com os excessos do passado, os mercados insistem em retomar o risco

NOVA YORK, EUA, 20 Set 2009 (AFP) - Os anos loucos dos "traders" foram varridos do cenário financeiro, mas o gosto pelo risco aparentemente reapareceu nos mercados às vésperas de mais uma reunião de cúpula do G20, na qual a regulação do sistema financeira dominará os debates.

Na saída de Wall Street, a maioria dos corretores, ainda usando coletes coloridos que os identificam no pregão da bolsa de bolsa de Nova York, evitam a todo custo os jornalistas.

Seja em Nova York, Londres ou Paris, eles - sob a condição de não serem identificados - confirmam que a prudência gerada pela recente crise parece ceder terreno.

"Os que se retiraram do mercado, ou que reduziram sua presença, estão voltando, principalmente as instituições americanas, que retornam bem rapidamente. A memória nesse setor é curta", explicou um corretor de uma agência na bolsa de Paris.

"As pessoas não tinham a impressão de assumir riscos insensatos. Uma grande parte deste ofício consiste em se arriscar. Sem risco, não há lucro", acrescentou o 'trader', que, obviamente, não quis ser identificado.

Em Nueva York, Gregori Volokhin, que trabalha para a sociedade de assessoria em gestão privada Meeschaert, confirmou que os mercados estão novamente tentados pelo risco.

"Há uma verdadeira volta à agressividade dos bancos, que tentam colocar produtos diferentes, não baseados em empréstimos hipotecários e sim produtos com efeito de palanque, com níveis de risco que podem ser relativamente importantes", explicou o economista.

Os complexos produtos financeiros derivados, endossados às vezes por empréstimos imobiliários, cuja composição não era clara e os que implicavam um risco de crédito apreciável, são considerados os geradores da crise financeira que derrubou a economia mundial.

Lindsay Piegza, economista da americana FTN Financial, assegura, no entanto, que seu trabalho mudou: os investimentos voluntários são mais limitados, as posições são mantidas muito tempo e a prioridade é a segurança, com bonos do Tesouro, por exemplo, e não os ativos vinculados aos bens imóveis ou aos produtos derivados.

"Mudamos nossos modelos, mudamos nossa visão de risco. A questão agora está em saber se este novo modo de ver as coisas vai ser mantido ou é por um período curto de tempo, e se vamos esquecer até que ponto isso pode acabar mal", comentou o analista.

Um corretor de um importante banco americano confessou, em uma conversa informal, que já não pode fazer o que bem entende de sua carteira. Precisou que a direção negou a ele a possibilidade de tomar certas decisões, mas admmtiu que no momento da crise "não se tinha uma boa gestão do risco".

Além disso, a profissão está na defensiva, vítima do mal-estar popular causado por seus salários e gratificações excessivas. "Isso não existe mais", enfatizou Piegza.

Em Londres, um funcionário de um banco de investimentos americano indicou que os bonos ou gratificações caíram "até 60% para os empregados mais antigos, de 15 a 20% para os mais jovens, para quem era uma boa parte de sua remuneração".

"Compreendo o ressentimiento contra os 'traders', que trabalham oito horas por dia e ganham milhões", acrescentou o corretor, também sob a condição de anonimato. "E é verdade que, ao meu redor, há gente que está ali só pelo dinheiro, e isso é ruim. Mas eu gosto do meu ofício por suas responsabilidades e a interação", destacou.

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