! Enriquecimento de urânio: tecnologia de uso civil e militar - 25/09/2009 - AFP - Economia
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25/09/2009 - 14h19

Enriquecimento de urânio: tecnologia de uso civil e militar

PARIS, França, 25 Set 2009 (AFP) - O Irã, que admitiu nesta sexta-feira estar construindo um segundo centro de enriquecimento de urânio, destacou que este enriquecimento não passará de 5%, longe dos 90% de urânio 235 necessários para fabricar uma arma atômica.

O urânio natural tem 99,3% de urânio 238, não físsil. A parte físsil, o urânio 235, representa apenas 0,7% do mineral em estado natural.

Para fabricar combustível para uma central nuclear, o urânio deve primeiro ser transformado em hexafluoreto de urânio (UF6), depois enriquecido em centrífugas para passar ao urânio 235 de entre 3% e 5%.

Enriquecido a taxas 235 entre 4% e 5%, o urânio tem uso civil, e de mais de 90% é para a utilização militar.

Depois, o hexafluoreto de urânio deve ser convertido em óxido de urânio (UO2), que é em seguida comprimido em pequenas pastilhas introduzidas em tubos colocados dentro de um reator, segundo Etienne Pochon, diretor de segurança e não-proliferação do Comissariado para Energia Atômica (CEA).

O Irã havia declarado em abril ter concluído esta etapa com a inauguração de uma usina em Ispahan, a mesma onde este país já produzia UF6.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicou no fim de agosto que o Irã instalou 8.308 centrífugas, ou seja mil a mais desde junho. Mas a AIEA acrescentou que somente 4.592 centrífugas estavam em atividade contra 4.920 em junho.

O Irã anunciou terça-feira que tem uma nova geração de centrífugas mais potentes.

Para fabricar a bomba atômica, é preciso combustível com 90% de urânio 235, físsil.

"Se o Irã decidir fazer o enriquecimento a 20% ou a 90% futuramente, isso pode ser visto. Em uma instalação, há microrresíduos", declarou Pochon em entrevista à AFP em abril.

"A AIEA tem acesso a cada 15 dias à (usina de) Natanz. A análise dos micro-resíduos pode revelar um enriquecimento a uma taxa superior", disse este especialista.

Além disso, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad declarou quinta-feira à imprensa que seu país pode comprar urânio enriquecimento por necessidades médicas nos EUA.

A produção de isótopos radioativos para uso médico ou industrial preocupa os ocidentais porque pode ser transformado para a produção de plutônio de uso militar.

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