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07/10/2009 - 17h07

Uma agricultura mais durável poderá alimentar 9 bilhões de humanos em 2050

PARIS, França, 7 Out 2009 (AFP) - Os nove bilhões de pessoas que habitarão a Terra daqui a 40 anos poderão ser adequadamente alimentadas se mudarmos nossos hábitos agrícolas e alimentares, pois 30% da produção atual ainda são inutilizados, segundo dois institutos de pesquisa franceses.

Pesquisadores do programa Agrimonde reconstituíram as quantidades de alimentos produzidas entre 1961 e 2003 para fazer projeções para os próximos 45 anos. Eles traçaram, a partir disso, dois cenários, apresentados à imprensa.

"O primeiro cenário corresponde ao prolongamento das evoluções históricas das produções e das utilizações de biomassa em um mundo totalmente liberalizado". Ele supõe uma continuidade do crescimento dos rendimentos agrícolas, mas também das terras dedicadas à criação de animais, com o consumo de carne aumentando. Neste cenário, as desigualdade de acesso á alimentação aumentam e os desgastes ambientais são unicamente tratados "somente a partir do momento em que se tornam agudos".

O segundo cenário aposta em uma ruptura, com a humanidade adotando condições de desenvolvendo sustentável do planeta.

De acordo com este segundo cenário, a quantidade média disponível em 2050 seria iguais a 3.000 kcal por habitantes e por dia, dos quais somente 500 de origem animal. Esta norma supõe de um lado uma baixa de 25% dos consumos individuais nos países industrializados, e um aumento equivalente na África Subsaariana, ressaltaram os autores da pesquisa.

Existe a possibilidade de enormes ganhos na luta contra o desperdício, enquanto cálculos realizados ano passado mostram que 30% da produção de alimentos mundial continuam não sendo utilizados, segundo os pesquisadores.

Atualmente, 4.800 kcal são produzidas por dia e por habitante na Terra, mas 600 são perdidas nos campos e 800 nas cadeias de transformação e distribuição.

Hoje, os pratos são muito variados. Nos países da OCDE, há um crescimento regular para chegar a 4.000 calorias por dia e por habitante, enquanto na África fica entre 2000 e 2500 calorias, destacou Gérard Matheron, diretor geral do Centro de Cooperação e de pesquisa agronômica para o desenvolvimento (CIRAD).

"Historicamente, cada vez que o homem fica mais rico, ele diversifica sua alimentação, para ter acesso a mais gordura e mais açúcar", lembrou Marion Guillou, presidente do Instituto Nacional de pesquisa agronômica (INRA).

Portanto, reequilibrar o consumo de alimentos em escala planetária não é nada impossível, mas exige um controle dos mercados e a proteção de criações de animais em países pobres, insistiu.

De fato, nos países ricos, o modelo de consumo está saturado. Além disso, até 2050, "a idade média da população mundial vai aumentar em 10 anos. E quando uma população envelhece, as necessidades calóricas diminuem", disse a pesquisadora Guillou.

Nos países industrializados, a produção de carne capta uma parte importante das terras cultiváveis. São necessárias sete calorias vegetais para produzir uma caloria de carne bovina ou ovina. Para os porcos ou as aves, esta relação é de apenas 4 para 1.

Além disso, é possível criar animais de outra forma, destacou Bruno Dorin, do CIRAD,

"A Índia é um grande produtor de leite, mas com um modelo completamente diferente. As vacas e os búfalos se alimentam de resíduos de colheitas ou até de alimentação humana".

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