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13/10/2009 - 15h12

BC americano enfrenta divergências sobre política monetária

WASHINGTON, EUA, 13 Out 2009 (AFP) - Após um ano de quase unanimidade sobre o rumo a seguir, os dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central americano) parecem estar divididos sobre a orientação a dar a sua política monetária.

O Fed reduziu sua taxa básica a quase zero em dezembro de 2008 e seu Comitê de Política Monetária (FOMC) previu que "as condições econômicas justificariam sua manutenção em um nível extremamente baixo por um longo período".

O Federal Reserve tentou, assim, deixar de lado a decisão sobre seu índice para concentrar-se na continuação do apoio à economia e à gestão de centenas de milhões de dólares mobilizados para conceder créditos e garantir a liquidez.

No entanto, Thomás Hoenig, presidente do Fed de Kansas City (Kansas, centro), uma das 12 sedes regionais do banco central, defendeu em 6 de outubro a ideia de um rápido aumento da taxa de juros, considerando que ela ainda ficaria ainda muito benevolente em 1% ou 2%.

Em virtude da rotação de funções entre os dirigentes das agências regionais do Fed, Hoenig será um dos membros com direito a voto no FOMC, em 2010.

Seu colega do St. Louis (Missouri, centro), James Bullard, que também votará em 2010 no FOMC, disse domingo que o "desvio entre a produção efetiva e a proteção potencial é muito forte por causa da gravidade da recessão".

Os riscos de inflação a médio prazo estão longe de serem desprezíveis, acrescentou, afirmando implicitamente sua preferência pelo aumento rápido da taxa.

As declarações de Bullard vão diretamente contra a linha manifestada há vários meses pelo FOMC e segundo a qual "a considerável subutilização da capacidade de produção" deveria gerar uma inflação "modesta durante um tempo".

No fim de julho, Charles Plosser (Fed da Filadélfia, Pensilvânia) disse que o Fed poderia aumentar seus juros rapidamente, para evitar a volta da alta inflação dos anos 1970.

Jeffrey Lacker (Fed de Richmond, Virgínia, leste), Charles Evans (Chicago, Illinois, norte) e Kevin Warsh, um dos cinco governadores do Fed, deram declarações parecidas nesta últimas semanas. Evans deu a entender, inclusive, que o Fed poderia elevar sua taxa antes de o desemprego começar a cair.

Ao contrário, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse quinta-feira passada que não tinha pressa para aumentar a taxa básica.

Após considerar "sombria" a situação do mercado de trabalho dos EUA (onde a taxa de desemprego de 9,8% no fim de setembro pode aumentar ainda durante vários trimestres), outro membro do conselho dos governadores do Fed, Daniel Tarullo, disse no mesmo dia que os investidores não devem superestimar a melhoria da economia.

Criticando os membros do Congresso que pedem ao Fed para aumentar a taxa para deter a queda do dólar, o Prêmio Nobel da Economia 2008 Paul Krugman se enfureceu com os banqueiros centrais que falaram de um abandono do índice zero.

"A ideia de que um aumento dos juros pode ser justificado tão cedo é simplesmente extraordinária", escreveu segunda-feira o New York Times.

O nível dos preços e do desemprego, segundo Krugman, pede a manutenção da taxa básica em seu nível atual pelos próximos dois anos, ou até mais, e certamente não antes do desemprego cair para 7%".

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