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02/11/2009 - 11h09

BP volta a lucrar apesar da fatura da maré negra no Golfo do México

LONDRES, 2 Nov 2010 (AFP) -O grupo petroleiro britânico BP anunciou nesta terça-feira que voltou a registrar lucro no terceiro trimestre, seis meses depois da explosão de uma de suas plataformas no golfo de México, apesar de ainda estar pagando a pesada fatura da catástrofe, que pode chegar a 40 bilhões de dólares.

O lucro líquido da BP foi de 1,785 bilhão de dólares no terceiro trimestre de 2010, valor ainda modesto se comparado ao prejuízo de 16,9 bilhões de dólares amargado nos três meses anteriores, o maior da história da empresa em um só trimestre.

A companhia britânica indicou ter incluído no cálculo deste trimestre uma nova provisão em suas contas de 7,7 bilhões de dólares, o que eleva para 39,9 bilhões de dólares o total destinado a cobrir os gastos provocados pela explosão da plataforma Deepwater Horizon.

O acidente, ocorrido em 20 de abril, deixou 11 mortos e provocou o pior desastre ecológico da história dos Estados Unidos. Ao todo, 4,9 milhões de barris (780 milhões de litros) de petróleo foram derramados no mar até a colocação de uma tampa sobre o poço danificado, em julho.

O novo diretor geral do grupo, o americano Bob Dudley, estimou que os resultados anunciados nesta terça-feira mostram que a BP está "no caminho da recuperação".

"Fizemos bons progressos neste período. Este sólido resultado mostra a determinação de todo mundo na BP para mover a companhia adiante e reconstruir a confiança depois dos terríveis acontecimentos dos últimos seis meses", acrescentou Dudley em um comunicado.

Dos quase 40 bilhões estimados, a BP já gastou até o momento 11,6 bilhões de dólares, 400 milhões a mais que na última estimativa, anunciada em 1º de outubro.

Este valor inclui o pagamento dos gastos de contenção e limpeza do petróleo que vazou, as indenizações pagas aos estados da costa do golfo afetados pela maré negra e às autoridades federais americanos, além das somas pagas a cidadãos prejudicados e famílias das vítimas da explosão.

Especialistas consideram que ainda é cedo demais para saber se a provisão bastará para cobrir todos os custos derivados da catástrofe, que também forçou a demissão do ex-diretor geral da BP, Tony Hayward, sustituído por Dudley em 1º de outubro.

Na semana passada, em um discurso para empresários, Dudley chegou a afirmar que o vazamento ameaçou "a própria existência" do grupo.

Depois do anúncio dos resultados, a ação da BP subiu 1,56% na bolsa de Londres, a 430,32 pence, ainda longe de seu recorde máximo anual de 658,2 pence, estabelecido um dia depois da explosão.
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