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09/11/2009 - 12h41

Lula defende aliança com potências do Bric, apesar das divergências

LONDRES, Reino Unido, 9 Nov 2009 (AFP) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a aliança de seu país com as outras três grandes potências emergentes no grupo dos Bric, segundo uma entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal britânico Financial Times.

"É como quando se tem uma nova namorada", respondeu Lula ao ser indagado a respeito dos interesses diversos e, inclusive, muitas vezes contraditórios desse quarteto formado pelo Brasil, Rússia, Índia e China.

"Se a pessoa olha apenas para seus defeitos, não chega a lugar nenhum, mas se olha para o lado bom, acaba se casando", afirmou o presidente na entrevista realizada durante sua visita a Londres na semana passada.

Lula explicou que a aliança se inspira no modelo da União Europeia (UE), onde também existiam, inicialmente, grandes divergências entre os membros fundadores.

"Em nossa primeira reunião (uma cúpula realizada em junho passado, na Rússia), sugeri que começássemos a fazer transações em nossas próprias moedas. Não precisamos do dólar. É apenas um tema cultural porque estamos acostumados com o dólar, mas isso pode mudar", acrescentou.

O jornal afirma que, quando o grupo foi fundado em 2001, as quatro potências emergentes representavam apenas 6% da economia mundial, mas que agora dados do FMI mostram que já têm um peso de quase um quarto e que superaram conjuntamente os Estados Unidos.

Nesse tempo, a China se converteu no primeiro sócio comercial do Brasil, o que também ajudou a escapar da crise ao não depender dos Estados Unidos e da Europa como outros países.

Questionado sobre o comentário que fez correr rios de tinta há alguns meses sobre o fato de a crise econômica mundial ser culpa "das pessoas louras de olhos azuis", Lula explicou que essa foi uma resposta a quem culpava os imigrantes.

"As pessoas pobres na África e em todo o mundo vão ter que pagar pela crise quando não foram elas que a causaram. Os países ricos dizem que não podem se permitir financiar ajudas à pobreza nos países pobres. Mas, para salvar seus bancos, encontraram trilhões. Se tivessem dado um pouco disso em ajuda aos países pobres, o mundo seria um lugar melhor", concluiu.

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