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23/11/2009 - 14h40

Um terço da humanidade vive no escuro, segundo a ONU

PARIS, França, 23 Nov 2009 (AFP) - Quase um terço da humanidade vive no escuro por falta de acesso à energia, estando entre essa fração 80% da população que mora nos países mais pobres e na África subsaariana e que praticamente não tem chance de alcançar as metas de desenvolvimento definidas para 2015, segundo um relatório da ONU.

O estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado nesta segunda-feira, insiste na estreita correlação entre extrema pobreza e falta de acesso à energia: menos de 3% dos burundineses, dos chadianos e dos liberianos têm acesso à energia elétrica, assim como menos de 5% dos ruandeses, centro-africanos e serraleoneses e 13% dos birmaneses e dos afegãos.

"Atualmente, cerca de 1,5 bilhão de habitantes dos países em desenvolvimento não têm acesso à energia elétrica, e 3 bilhões dependem de combutíveis sólidos (biomassa e carvão) para cozinhar e se aquecer", ressaltam os autores do estudo.

O relatório realizado em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu 140 países em desenvolvimento, 50 dos quais pertencem à categoria dos "menos avançados" (PMA), os que têm um Produto Nacional Bruto (PNB) inferior a 750 dólares por habitante. Destes 50, 31 ficam na África subsaariana.

Assim, "79% das populações nos PMA e 74% na África subsaariana vivem sem energia elétrica, contra 28% em média nos países em desenvolvimento", segundo o texto.

"Com os níveis atuais de acesso à energia, será muito complicado para esses países alcançarem as Metas de desenvolvimento do Milênio" definidos pela ONU em 2000 para tentar reduzir a pobreza pela metade até 2015, avisou à AFP Minoru Takada, chefe do departamento Energia e Meio Ambiente do PNUD.

Para alcançar este objetivo, seria necessário que mais 1,2 milhão de pessoas tenham acesso à energia elétrica e mais 1,9 milhão a combustíveis modernos para cozinhar e se aquecer.

"Trazer a energia elétrica a cada casa custaria cerca de um dólar por pessoa, por um serviço mínimo", acrescentou Takada, para quem a melhor opção para equipar as zonas rurais isoladas seria "energia hidráulica, ou microssolar voltaico".

Porém, como é o caso do acesso à água, o acesso à energia não parece ser uma prioridade para os governos envolvidos. "Eles preferem mostrar realizações espetaculares", lamentou.

No mundo em desenvolvimento, 45% da população usa biomassa (madeira, resíduos agrícolas) e carvão com fins domésticos. Este número chega a 71% das áreas rurais. No entanto, apenas 27% utilizam os fogareiros mais modernos, que garantem uma melhor combustão e evacuação das emanações (6% nos PMA e na África subsaariana).

No relatório, os autores alertam para o fato de que dois milhões de pessoas morrem por ano em todo o mundo por causa da poluição interna liberada por estes combustíveis.

Mulheres (50% das mortes) e crianças (44%) são particularmente atingidas por pneumonias, doenças pulmonares crônicas e cânceres do pulmão por ficarem perto do fogareiro, explicam.

"Nos PMA e na África subsaariana, mais de 50% de todas as mortes são provocadas por estas doenças, que podem ser atribuídas aos combustíveis utilizados".

O futuro acordo sobre o clima que deve ser negociado em Copenhague a partir de 7 de dezembro deve garantir um financiamento aos países mais pobres para ajudá-los a se desenvolverem de maneira menos poluente.

O acesso à energia e às tecnologias limpas será para estes países um dos temas mais importantes desta conferência.

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