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27/11/2009 - 11h33

Dubai deve se livrar da quebra graças a seu irmão mais velho, Abu Dhabi

DUBAI, França, 27 Nov 2009 (AFP) - Dubai, que pediu moratória de uma parte de sua dívida, não deve quebrar graças ao apoio de seu vizinho petroleiro rico, o Emirado de Abu Dhabi, mas sairá enfraquecido desta crise, segundo analistas.

"Enquanto Estado soberano, Dubai não está exposto a uma falência porque se beneficia do apoio de Abu Dhabi" (capital da Federação dos Emirados Árabes Unidos), explica o economista especialista em Oriente Médio, Pascal Devaux, do banco BNP Paribas.

As grandes praças financeiras do mundo desabaram na quinta-feira, um dia depois do anúncio de Dubai de um pedido de moratória de seis meses aos credores de seu grande conglomerado Dubai World. As bruscas quedas das Bolsas continuaram nesta sexta-feira.

Em meio ao clima de pânico, o especialista do BNP Paribas disse que a revelação da fragilidade financeira poderia dar a Abu Dhabi "a possibilidade de voltar a controlar os Emirados graças a esta crise".

Capital econômica dos Emirados, Dubai ofusca Abu Dhabi, que produz mais de 90% do petróleo da federação.

Por sua vez, as reservas de cru de Dubai são quase nulas.

Por isso, foi Abu Dhabi que saiu ao resgate de Dubai, lançado há anos em projetos faraônicos e muito endividado atualmente.

"Abu Dhabi nunca deixará cair o filho pródigo, mas não para de criticá-lo pela exuberância e os excessos", destacou à AFP um especialista em finanças islâmicas em Paris que não quis revelar sua identidade.

Na quarta-feira, o governo de Dubai anunciou ter arrecadado 5 bilhões de dólares com seu programa de 20 bilhões de dólares de bônus de Tesouro, lançado no início do ano para enfrentar seus compromissos financeiros.

Estes 5 bilhões foram subscritos justamente por dois bancos com sede em Abu Dhabi: National Bank of Abu Dhabi e Al Hilal Bank, um grande banco islâmico.

Estes bancos estão ligados ao Abu Dhabi Investment Council, um organismo do governo do Emirado de Abu Dhabi, o mais rico dos sete membros da federação.

A primeira parte de 10 bilhões de dólares foi subscrita em fevereiro pelo Banco Central dos Emirados Árabes Unidos, controlado por Abu Dhabi.

"Abu Dhabi não pode se permitir a quebra de Dubai. Pode se permitir o enfraquecimento do Emirado, mas uma quebra de Dubai afetaria Abu Dhabi", destacou por sua vez o analista Ibrahim Khayat.

Este especialista considerou que Dubai "vai recuperar sua solvência financeira em troca de uma solução que o force a renunciar a uma parte de seus haveres em favor de Abu Dhabi".

A dívida total de Dubai está estimada em 80 bilhões de dólares em 2008, entre eles 70 bilhões correspondentes a companhias públicas. Dubai World ficou com 59 bilhões de dólares deste total.

Dubai deve pagar 13 bilhões de dólares de dívida em 2010 e 19,5 bilhões em 2011.

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