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22/12/2009 - 12h12

Convalecente, a economia mundial em 2009 ainda viveu o impacto da crise

WASHINGTON, 22 dez 2009 (AFP) - À beira do precipício no início de 2009, a economia mundial parece ter entrada em convalescença graças às intervenções dos poderes públicos, mas continua profundamente marcada pela pior crise financeira atravessada pelo planeta desde os anos 1930.

"A economia mundial está confrontada com uma recessão profunda", resumiu, em janeiro, o Fundo Monetário Internacional (FMI), quatro meses depois da falência do banco americano Lehman Brothers.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos despencou 6,4% no primeiro trimestre em ritmo anual. A primeira economia do mundo eliminou então cerca de 700.000 empregos por mês.

No mesmo período, a zona euro conheceu a pior contração de atividade em sua jovem história, com um retrocesso de 2,5% de seu PIB, o que corresponde a cerca de 10% em ritmo anual. No Japão,a economia caiu 14,2%.

Segundo um estudo dos economistas da Universidade da Califórnia e do Trinity College de Dublin, o comércio internacional e os mercados financeiros desabaram mais fortemente nos 12 primeiros meses da crise do que depois do crash de 1929. Além disso, a queda da atividade industrial foi comparável à observada no princípio da Grande Depressão.

"Mas, ao mesmo tempo, a resposta em termos de medidas monetárias e orçamentárias, não apenas nos Estados Unidos, como também no mundo inteiro, foi mais rápida e mais forte dessa vez", destacaram os economistas.

Os governos lançaram planos de reativação no valor de milhares de milhões de dólares. Os bancos centrais reduziram drasticamente suas taxas de juros - a quase zero nos Estados Unidos, algo jamais visto - e injetaram milhões no sistema financeiro para restabelecer o acesso ao crédito.

"A diferença entre o período atual e a Grande Depressão é que, nos anos 30, o Fed (o banco central dos Estados Unidos) deixou que a massa monetária caísse e não agiu de uma maneira firme", explica Nariman Behravesh, economista chefe do IHS Global Insight.

A economia americana retomou o crescimento no terceiro trimestre de 2009, com o PIB em alta de 2,8% (a ritmo anual) depois de quatro trimestres de retrocesso. No Japão, o crescimento alcançou 1,3% sobre o mesmo período. A zona euro também viu seu PIB progredir, mas mais moderadamente (+0,3%).

A China, que conheceu uma diminuição da velocidade (mas nenhuma recessão) de sua atividade e adotou medidas maciças de reativação, fixou um crescimento de 8,9% entre julho e setembro.

O FMI prevê um crescimento mundial de 3,1% em 2010 depois de uma contração de 1,1% este ano, a mais forte desde a Segunda Guerra Mundial.

Mas Joachim Fels, economista do banco Morgan Stanley, advertiu que a economia mundial vai conhecer uma recuperação "sem crédito e desempregada" nas dez principais potências mundiais, com uma paralisação que deve permanecer elevada nos Estados Unidos, Europa e Japão.

Para Nariman Behravesh, o mundo sempre tem alguma zona de risco "depois de uma série de bolhas especulativas" não apenas imobiliárias. "Houve bolhas na Bolsa na China e bolhas nas matérias-primas", afirmou.

Outra ameaça sobre a recuperação, para David Rosenberg, economista chefe da Gluskin Sheff & Associates, de Toronto, são os chamados ativos tóxicos gerados pela bolha imobiliária, que envenenavam as contas dos bancos e foram varridos para debaixo do tapete.

"Foram regurgitados em grande parte pelos governos e bancos centrais, que são expostos sucessivamente a seus próprios riscos, como se presenciou recentemente em Dubai, México, Espanha, Grécia, Reino Unido, estados bálticos, sem mencionar os estados e as coletividades locais nos Estados Unidos", afirmou Rosenberg.

Quanto aos mercados mundiais de ações, matérias-primas e divisas, estes decolaram em 2009 depois de uma queda vertiginosa até março, mas 2010 poderá ser o ano de todos os perigos, com persistentes dúvidas sobre o ritmo e o vigor da recuperação.

"Para os mercados financeiros, o ano passado pode ser comparado com uma volta numa montanha russa", segundo os analistas da Rabobank.

O impacto maior que o previsto da crise financeira na economia real mergulhou em março os mercados de ações e de divisas numa dificuldade tal que apenas os planos de reativação e a queda das taxas de juros em níveis sem precedentes conseguiram tirar.

O Dow Jones, índice principal de Wall Street, caiu em março pela primeira vez em doze anos abaixo do limite dos 7.000 pontos, para voltar a superar os 10.500 no início de dezembro.

"Até agora, o remédio dos planos de apoio parece funcionar porque a maioria das economias volta a crescer", assinalaram os analistas de Wells Fargo Securities.

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