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11/01/2010 - 23h32

Argentina precisa sair do 'default', diz Kirchner

BUENOS AIRES, 11 Jan 2010 (AFP) - A Argentina precisa sair da situção de não pagamento para regressar ao mercado de capital e obter créditos a taxas razoáveis, disse nesta segunda-feira a presidente Cristina Kirchner ao defender o uso de reservas monetárias do Banco Central para garantir o pagamento da dívida soberana, em 2010.

A presidente defendeu a criação de um fundo de US$ 6,569 bilhões, anunciado em dezembro passado com o nome de Fundo do Bicentenário, para garantir o pagamento de parte dos vencimentos da dívida de 2010, que totalizam US$ 13 bilhões.

Ao lançar um programa de ajuda financeira para pequenos e médios produtores de trigo, a presidente referiu-se à crise aberta semana passada, envolvendo o Congresso e a justiça, como parte de uma disputa entre o governo e o Banco Central pelo uso das reservas.

"Há uma formidável manobra política, da mídia, e com a ajuda de setores judiciais", afirmou.

Em seu discurso, a presidente recordou que quando seu esposo e predecessor, Néstor Kirchner, chegou ao governo em 2003 o endividamento externo equivalia a 160% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto que atualmente representa 40% do PIB.

Destacou, além disso, que quando em 2006, a Argentina saldou com um só pagamento a dívida com o Fundo Monetário Internacional de 9,5 bilhões de dólares, com a aprovação do titular del Banco Central, Martín Redrado, foram utilizadas "quase 100% das reservas disponíveis de quase US$ 10 bilhões, com um PIB de 180 bilhões de dólares".

"(Agora) temos 305 bilhões de dólares de PBI e o Fondo del Bicentenario representa só um terço das reservas, não 100%", insistiu.

Kirchner demitiu Redrado por decreto na quinta-feira, mas ele foi devolvido ao cargo pela justiça.

Nesta segunda-feira, Kirchner sofreu um novo revés no caso, com a juíza federal María José Sarmiento confirmando sua decisão de manter o presidente do Banco Central no cargo.

A juíza também decidiu transformar o processo de amparo, de trâmite rápido, em processo ordinário, com prazos mais extensos, ignorando a apelação do governo.

Na frente política, o vice-presidente, Julio Cobos, agora na oposição, reuniu os líderes dos partidos contrários a Kirchner na tentativa de abrir o diálogo e resolver a crise.

"Apelamos à boa vontade do poder Executivo para estabelecer uma data para que o Senado ratifique ou não os Decretos de Necessidade e Urgência" sobre o uso das reservas e a destituição de Redrado, disse o senador Gerardo Morales, titular da União Cívica Radical.

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