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28/01/2010 - 11h58

Amorim pede em Davos uma tributação zero sobre os produtos do Haiti

O Brasil pediu esta quinta-feira no Foro de Davos que todos os países do mundo em condições de fazê-lo apliquem tributação zero sobre os produtos procedentes do Haiti durante um prazo de 15 a 20 anos para ajudar na recuperação deste país devastado pelo terremoto de 12 de janeiro.

"Este é o momento para que todos os países desenvolvidos e todos os países em desenvolvimento que possam fazê-lo ofereçam tarifa zero e cota livre pra os produtos haitianos", assinalou o chanceler Celso Amorim em uma seção especial sobre o Haiti organizada em Davos com a presença do ex-presidente americano Bill Clinton.

"Sempre há um modo de fazer isso se houver vontade política. É preciso fazê-lo por 15, 20 anos, para ajudar o país", insistiu, referindo-se à viabilidade de sua ideia.

Já o ex-presidente Clinton - enviado especial da ONU para o Haiti - incentivou os empresários a investirem com confiança no país caribenho, acompanhando a reconstrução da parte destruída pelo terremoto e acelerando o desenvolvimento dos 70% que não foram afetados pela tragédia.

Na sua apresentação na estação de esqui do leste da Suíça, Bill Clinton afirmou que a tragédia ocorrida no último dia 12 de janeiro pode se transformar numa oportunidade para fazer o país ressurgir depois de anos de miséria.

"Os haitianos precisam ser ajudados através desse odioso desastre natural", enfatizou, explicando que o terremoto que deixou 170 mil mortos pode servir para ressaltar as qualidades deste país historicamente "castigado por ser ignorado e alvo de abusos".

"Eles têm a melhor oportunidade de sua vida de escapar do passado e temos a melhor oportunidade de nossas vidas para ser parte disso", insistiu Clinton, visivelmente emocionado. Clinton está envolvido com o Haiti há muito tempo, e passou no país a lua de mel com sua esposa Hillary.

Segundo o enviado especial adjunto da ONU para o Haiti, Paul Farmer, 75% de Porto Príncipe deverá ser reconstruída.

Clinton disse ainda que as necessidades imediatas incluem caminhões e centros de distribuição para entregar a ajuda que está disponível, mas que é difícil de levar para aqueles que mais necessitam dela.

O pedido de Clinton também se centrou nos meios através dos quais as grandes companhias possam proporcionar ajuda a médio e longo prazo, destacando o potencial agrícola e turístico do Haiti.

Também falando do futuro, o chanceler Celso Amorim se referiu a quatro questões fundamentais para o país caribenho: o emprego, a energia, o meio ambiente e a alimentação.

Sobre isso, pediu "mudanças importantes" porque isso dará trabalho aos jovens no Haiti e ofereceu a cooperação do Brasil para desenvolver biocombustíveis.

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