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20/02/2010 - 15h31

Chávez deixa diferenças ideológicas de lado, na hora de resolver crise de energia

A ideologia nada tem a ver com a resolução da severa crise de energia elétrica pela qual passa a Venezuela, destacou o presidente Hugo Chávez, depois de anunciar a compra de usinas termelétricas à americana General Electric e considerar uma oferta recente feita pela Colômbia.

"As usinas não têm ideologia, nada têm a ver com um governo e outro, ou com as relações entre eles", disse Chávez, sobre as geradoras de 440 megawatts que chegarão entre março e junho dos Estados Unidos e serão distribuídas entre as estatais Sidor (aço) e Venalum (alumínio).

Em agosto, a GE duplicará a geração de energia, insistiu.

Para Chávez, um férreo crítico do governo dos Estados Unidos, estas "decisões não são políticas (...) há uma lógica simples de funcionamento das coisas".

"Estamos trazendo algumas máquinas da General Electric", que até junho fornecerão 440 MW, explicou Chávez em um conselho de ministros transmitido pela televisão estatal VTV.

"Agora a General Electric fez uma nova oferta de duplicar esta capacidade, e nós dissemos 'yes, sir'. Já dei o sinal verde para minha equipe elétrica, de alta voltagem, para que procedam", acrescentou, ilustrando sua tese com o fato de que a Venezuela envia para os Estados Unidos um milhão e meio de barris diários de petróleo".

A mesma lógica aplica, segundo Chávez, à análise da oferta da Colômbia de retomar o fornecimento elétrico para a Venezuela. "Se nos interessa, compramos. Não temos nenhum problema", disse.

Caracas congelou em julho passado suas relações com Bogotá devido à assinatura de um acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos que permitirá a tropas americanas operarem de forma controlada em, pelo menos, sete bases colombianas.

O governo da Venezuela estuda ainda a compra de outras usinas da GE e da alemã Siemens, que engordariam o sistema elétrico nacional em 832 MW.

A Venezuela enfrenta uma grave crise energética devido a um sistema de geração em colapso e a uma forte seca que reduziu a níveis críticos o volume de água do sistema Guri, no sul, responsável por 70% da energia consumida pelos venezuelanos.

No começo de janeiro, o ministro das Minas e Energia, Rodolfo Sanz, havia anunciado uma primeira compra de 44 MW, com um investimento de 227.000 dólares.

No país, as indústrias de aço, ferro e alumínio precisaram reduzir sua produção para se adequar aos cortes de consumo estabelecidos por Chávez. No total, podem consumir apenas 560 MW por dia.

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