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24/03/2010 - 15h39

Londres se compromete a reduzir déficit e a cobrar mais dos ricos

O governo britânico comprometeu-se nesta quarta-feira a reduzir o déficit recorde do país mais rápido do que o previsto, ao apresentar o último orçamento antes das eleições, e que inclui, também, medidas destinadas a taxar os mais ricos, para ajudar as pessoas mais afetadas pela crise.

A algumas semanas de eleições previstas para o dia 6 de maio e que se prenunciam disputadas entre os trabalhistas no poder e os conservadores, o ministro das Finanças, Alistair Darling, apresentou no Parlamento um orçamento destinado a "garantir a recuperação, reduzir a dívida e investir no futuro da indústria britânica", além de traçar um "caminho para a prosperidade a longo prazo".

Há meses, os trabalhistas tentam garantir a recuperação econômica do país, que saiu da recessão mais longa em 60 anos no último trimestre de 2009, e reduzir o déficit público que disparou devido aos planos de resgate bancário instaurados durante a crise.

Para tranquilizar os mercados, Darling reduziu em 11 bilhões de libras sua previsão de déficit público para 2009/2010, a 167 bilhões de libras (250 bilhões de dólares, 185 bilhões de euros), ou o equivalente a 11,8% do PIB.

De acordo com as previsões do governo, que se comprometeu por lei a reduzir o déficit pela metade em quatro anos, este também deverá ser reduzido de maneira mais rápida nos próximos anos até chegar a 74 bilhões ou a 4% do PIB em 2014-15, portanto, ainda acima dos 3% de limite máximo autorizado pela União Europeia (UE).

O ministro considerou, no entanto, que seria "errôneo e perigoso" reduzir os gastos públicos no exercício fiscal que começa em abril, porque "poderia fazer a recuperação descarrilar", mas anunciou o corte "mais drástico em décadas" a partir de 2011.

Darling trabalha, assim, com um crescimento de entre 1 e 1,5% do PIB em 2010 e de entre 3 e 3,5% em 2011, mantendo a previsão anunciada para 2010 em dezembro, em seu anteprojeto de orçamento, mas revisou levemente a margem entre 3,25 e 3,75% do Produto Interno Bruto (PBI) estimada inicialmente.

A Grã-Bretanha foi uma das últimas potências industrializadas a sair da recessão.

Darling também lançou nesta quarta-feira um pacote único de ajuda para o crescimento da economia no valor de 2,5 bilhões de libras (3,7 bilhões de dólares).

O pacote será financiado em grande parte pelos 2 bilhões de libras que ingressaram nas cofres do Estado graças à taxa temporária imposta aos bancos que pagaram este ano bônus superiores a 25.000 libras a seus funcionários.

Inclui uma série de propostas destinadas a fazer com que os mais ricos financiem medidas destinadas aos mais prejudicados pela crise financeira, como os jovens que perderam os empregos ou os que tentam comprar a primeira casa.

"Os que foram mais beneficiados pelo forte aumento dos lucros nos últimos anos devem pagar sua parte em impostos", declarou Darling.

As pessoas com rendas mais altas também deverão pagar mais impostos.

"O trabalhismo deixou a economia britânica em uma completa desordem e não faz nada para corrigir", considerou o líder da oposição, o conservador David Cameron, afirmando que o governo deveria estar "envergonhado".

Os conservadores, que estão há 13 anos na oposição, têm uma pequena vantagem nas pesquisas, mas essa diferença poderá ser insuficiente para que obtenham a maioria no Parlamento nas eleições que deverão ser convocadas oficialmente nos próximos dias.

Darling, anunciou nesta quarta-feira a criação de um "fundo de investimentos verde", dotado de 2 bilhões de libras (3 bilhões de dólares ou 2,2 bilhões de euros), para projetos relacionados ao meio ambiente.

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