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25/03/2010 - 17h12

Alemanha e França criam plano de ajuda à Grécia e incluem FMI

Alemanha e França fecharam nesta quinta-feira um acordo de ajuda financeira destinada à Grécia, que combina empréstimos bilaterais europeus com a invervenção do FMI, ao se iniciar uma cúpula em Bruxelas.

A chefe do governo alemão, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, chegaram a um consenso sobre um texto que descreve as condições do plano de ajuda a Atenas, que apenas será aplicado "como último recurso", segundo o Palácio do Eliseu, e que tem como objetivo devolver a confiança e a estabilidade à Zona do Euro.

Depois de diversas semanas de negociações árduas, Paris e Berlim concordaram antes do início da cúpula da União Europeia (UE) em realizar "empréstimos bilaterais" combinados com uma intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI), indicaram as mesmas fontes.

Essa fórmula de ajuda foi estabelecida depois que a Alemanha rejeitou um apoio financeiro unicamente europeu, como tinham defendido no início países como Espanha e França.

Concretamente, o acordo franco-alemão prevê empréstimos bilaterais europeus aos quais os países da Zona do Euro deverão contribuir "em função do peso (que esses empréstimos terão) no capital do Banco Central Europeu (BCE), segundo a presidência francesa.

A esse mecanismo, serão acrescentados empréstimos do FMI, mas com a clara menção de que o financiamento europeu seja majoritário, uma condição claramente expressa por alguns líderes, entre eles o chefe do governo espanhol e presidente rotativo da UE, José Luis Rodríguez Zapatero.

Depois de se mostrar contrário a qualquer intervenção do FMI, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, mostrou-se "de acordo" com esse compromisso, explicaram fontes ligadas às negociações.

Segundo afirmaram nesta semana fontes diplomáticas, o montante que a Grécia poderá dispôr varia de 20 bilhões a 30 bilhões de euros (26 bilhões a 40 bilhões de dólares), com uma taxa de juros menor que o governo grego paga atualmente pelo dinheiro que toma emprestado.

Zapatero quis deixar claro nesta quinta-feira que "se trata de emprestar dinheiro à Grécia, não de dar", que "será devolvido e, além de tudo, com juros".

ouvido sobre a possibilidade de a Espanha participar de um empréstimo de em torno de 2,5 bilhões de euros, o presidente do governo respondeu que seu país apoiará a Grécia de acordo com seu peso econômico na Zona do Euro.

Atenas enfrenta uma dívida próxima dos 300 bilhões de euros (406 bilhões de dólares), com um déficit público que chegou aos 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, muito acima dos 3% autorizados por Bruxelas.

As preocupações com a solvência das contas gregas e os riscos de contágio na Zona do Euro estão enfraquecendo a moeda única, que na quinta-feira alcançou novo mínimo, ficando abaixo dos 1,33 dólares pela primeira vez desde maio de 2009.

Os analistas afirmam também que o rebaixamento da nota da dívida de longo prazo de Portugal, publicada nesta quarta-feira pela agência de classificação de risco Fitch Ratings, sugere que a crise está se estendendo por toda a Zona do Euro.

A aprovação de um plano de apoio à Grécia divide a opinião pública europeia, segundo uma pesquisa publicada nesta quinta-feira em Paris.

Espanhóis, italianos e franceses apóiam que a UE ajude financeiramente a Grécia em nome da "solidariedade europeia", enquanto que alemães e britânicos se opõem de forma massiva.

De forma global, 58% dos cidadãos dos cinco países onde a pesquisa foi realizada - Alemanha, França, Espanha, Grã Bretanha e Itália -, rejeitaram a ajuda, informou a Fondapol, uma fundação de estudos políticos.

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