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31/03/2010 - 15h40

Obama planeja expandir exploração de petróleo 'offshore'

O presidente americano, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira um plano de expandir a exploração de petróleo 'offshore' nos Estados Unidos, gerando de um lado protestos de grupos ambientalistas e de outro, acusações de republicanos de que ele não avançou o suficiente.

Entre as áreas mencionadas estão as águas em frente à costa da Virgínia (leste) e novas partes do Golfo do México (sul). Por outro lado, não estariam incluídas outras áreas sensíveis, como a baía de Bristol, no mar oriental de Bering, no Alasca (noroeste) - hábitat do salmão-vermelho, entre outras espécies - e o conjunto da costa do Pacífico.

A pesquisa científica nos mares de Chukchi e Beaufort, no Alasca, serão autorizadas, mas quatro negociações pendentes feitas sob a administração Bush nestas águas serão canceladas.

O anúncio, que provocou a imediata preocupação e a condenação de grupos ecologistas, ocorreu apesar de Obama ter feito do desenvolvimento de energias "verdes" uma das pedras angulares de sua política econômica.

Mas, durante um discurso na base militar de Andrews, a 15 km de Washington, Obama disse que a tentativa de abrir caminho a zonas petroleiras em águas territoriais americanas, como afirmou em sua campanha eleitoral de 2008, deve permitir realizar uma "transição" suave para novas formas de energia.

"A curto prazo, enquanto fazemos uma transição para (o uso de) energias mais limpas, devemos tomar decisões difíceis sobre a abertura de novas áreas no mar para o desenvolvimento (da exploração) petroleira e gasífera sempre protegendo as áreas habitadas e a costa", disse o presidente.

"A questão é a seguinte: em vista de nossas necessidades de energia, para sustentar o crescimento econômico, criar empregos e fazer com que nossas empresas se mantenham competitivas, teremos que dominar fontes de combustível tradicional e aumentar, ao mesmo tempo, a produção de energia renovável", acrescentou.

Os republicanos, que se mostraram contrários a quase toda a agenda doméstica de Obama, apóiam uma exploração maior de reservas americanas não utilizadas, e tentaram fazer pressão por mais perfurações petrolíferas durante a campanha presidencial de 2008.

No entanto, líderes do partido argumentaram nesta quarta-feira que o plano de Obama é limitado demais em seu escopo, enquanto alguns defensores da indústria de energia criticaram a administração por não suspender uma proibição existente para a prospecção em frente à costa nordeste e do Pacífico.

Os ambientalistas também não pouparam críticas.

"Estamos muito decepcionados por vermos importantes áreas como a costa do Ártico e a do Atlântico abertas à perfuração petroleira", declarou, em um comunicado, Michael Brune, diretor-geral do Sierra Club, a maior organização americana de defesa do meio ambiente.

"Precisamos de medidas decisivas que permitam o desenvolvimento de fontes de energia verde, como as novas regulamentações sobre os carros limpos anunciadas esta semana, mas não novas perfurações petroleiras no mar, poluidoras e custosas", acrescentou.

A indústria do petróleo tem tido acesso a milhões de hectares de terras e águas federais e "não é necessário ceder as últimas zonas públicas costeiras protegidas para que as companhias petroleiras obtenham ainda mais ganhos, que já são recorde", disse Brune.

O ativista do Sierra Club alertou para o fato de que a exploração no Ártico ameaça, entre outras espécies, as baleias e os ursos polares.

Além disso, acrescentou Brune, "perfurar nossas zonas costeiras não fará nada para baixar os preços da gasolina ou reduzir a dependência energética americana do exterior".

Para Phil Radford, diretor-geral do Greenpeace, a decisão de Obama só fará "aumentar a dependência dos Estados Unidos de petróleo (...), enquanto a China e Alemanha estão no caminho de vencer a corrida da energia limpa".

Atualmente, 1.844 concessões federais petroleiras e gasíferas em frente à costa americana são exploradas em um total de 7.316, ou seja, 25%, disse o democrata Ed Markey, presidente da Comissão da Câmara de Representantes sobre a independência energética e o aquecimento do clima.

Na superfície, as concessões que são objeto de perfuração representam 3,6 milhões de hectares de um total de 15,9 milhões, ou seja, ao redor de 22%.

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