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06/04/2010 - 17h21

Brasil e Bolívia analisam vasto programa de cooperação

Uma missão de funcionários e empresários brasileiros, liderada por Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, discutirá com as autoridades boliviana em La Paz programas de investimento em mineração e hidrocarbonetos, e cooperação na luta contra o narcotráfico.

Um funcionário da embaixada do Brasil na Bolívia disse à AFP que Marco Aurélio Garcia chegará à La Paz na tarde desta terça-feira e se reunirá na quarta com o presidente Evo Morales.

As equipes técnicas do governo e empresários brasileiros também devem se reunir com outras autoridades bolivianas.

Os temas que serão discutidos são "de natureza energética, de integração de hidroeléticas, construção de um polo químico de gás (na fronteira binacional), combate ao narcotráfico e industrialização do lítio boliviano", afirmou a fonte da embaixada, que não quis se identificar.

La Paz e Brasília têm um acordo como ponto principal de sua relação bilateral, assinado em 1999, que permite a venda até 2010 de cerca de 30 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, principalmente para o estado de São Paulo.

O Brasil também aprovou nos últimos anos vários créditos para o asfaltamento de estradas, como um de 230 milhões de dólares para o corredor bioceânico entre as cidades de La Paz e Riberalta, no extremo norte do país, vizinho do estado brasileiro de Rondônia.

Entretando, os principais temas do diálogo boliviano-brasileiro que será realizado em La Paz serão o energético e o minerador.

A Bolívia deseja que o Brasil, com a tecnologia e os recursos que possui, a ajude a construir um polo de desenvolvimento para industrializar seus campos de gás natural no povoado boliviano de Puerto Suárez, no extremo leste e vizinho do estado de Mato Grosso do Sul.

"Estamos tentando ajudar a Bolívia a industrializar seu gás", explicou o embaixador brasileiro em La Paz, Frederico Cézar de Araujo.

Um segundo tema - segundo o diplomata - é a intenção da Vale do Rio Doce de participar da industrialização de recursos minerais em Salar de Uyuni (sudoeste), o maior deserto do mundo e uma das maiores reservas de lítio e potássio.

"Virá também a companhia Vale do Rio Doce, interessada em explorar com a Bolívia possíveis associações em Salar de Uyuni, com especial atenção para o potássio", disse o embaixador.

Na agenda de reuniões entre os países as autoridades conversarão sobre a possibilidade de estabelecer políticas de cooperação na luta contra o narcotráfico, um problema que se manifesta em diversos pontos de uma fronteira comum de 3.100 km.

Parte da droga produzida na Bolívia, como a que vem do Peru, termina nos mercados brasileiros de consumo.

O diálogo entre os dois países ocorre em meio ao anúncio realizado em Brasília pela pré-candidata à presidência do PT, Dilma Rousseff, de diversificar as relações dos dois países.

"A visita do professor Marco Aurélio García é um importante passo nessa direção", afirmou Dilma em uma entrevista ao jornal La Razón, de La Paz.

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