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18/04/2010 - 15h49

Após quatro dias de paralisia por cinzas, companhias aéreas perdem a paciência

Após quatro dias de paralisia quase total no transporte aéreo europeu pelas nuvens de cinzas expelidas por um vulcão islandês, as companhias aéreas realizaram neste domingo voos de teste pressionando juntas as autoridades para que reabram o espaço aéreo.

Os ministros dos Transportes da União Europeia realizarão uma reunião extrarodinária na segunda-feira por videoconferência para abordar o tema, indicou o ministro espanhol do setor, país que assume a Presidência rotativa do bloco.

A Comissão Europeia tentou durante o final de semana fazer com que as rotas aéreas fossem reabertas a partir de segunda-feira, pressionada pelas companhias aéreas impacientes para pôr fim a esta custosa desmobilização.

Desde quinta-feira, cerca de trinta países europeus impuseram o fechamento total ou restringiram seu espaço aéreo à medida em que a nuvem de cinzas expelidas por um vulcão no sul da Islândia avançava. As precauções se devem ao fato de as cinzas ameaçarem os motores dos aviões.

No final deste domingo, a principal associação das companhias aéreas europeias e a associação das administradoras de aeroportos pediram uma "reavaliação imediata" das restrições de voos impostas na Europa.

As duas companhias aéreas mais importantes da Alemanha, a Lufthansa e a Air Berlin, criticaram fortemente mais cedo as autoridades pela ausência de cálculo da concentração de cinzas na atmosfera.

Ambas as companhias realizaram voos no interior da Alemanha sem passageiros e ressaltaram que "nenhum dano" foi registrado nos aviões. "Aparentemente, até os 8.000 metros não há cinzas vulcânicas", disse um porta-voz da Lufthansa.

Seguindo o exemplo alemão, a francesa Air France e outras companhias decidiram realizar testes de voo semelhantes neste domingo.

Um Boeing da companhia aérea British Airways decolou do aeroporto londrino de Heathrow, sem passageiros, com o diretor geral da empresa a bordo, para estudar o impacto das cinzas vulcânicas sobre os aviões, declarou à AFP uma porta-voz da BA.

Essas iniciativas coincidiram com uma restrição menor aos voos em vários países. Todos os aeroportos espanhóis, a maioria dos croatas e os do sul da França foram reabertos neste domingo à tarde, sendo seguidos depois por seis dos 16 aeroportos alemães por algumas horas. Áustria e Polônia abriram parcialmente seu espaço aéreo.

Desde quinta-feira foram cancelados cerca de 63.000 voos no espaço aéreo da Europa, dos quais cerca de 20.000 neste domingo, segundo um registro divulgado ao meio-dia pelo organismo europeu de controle aéreo, Eurocontrol.

A Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) estimou no sábado que os prejuízos provocados ao tráfico aéreo mundial superam os sofridos após os atentados de 11 de setembro.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) estimou em 200 milhões de dólares diários as perdas das companhias.

O primeiro-ministro britânico Gordon Brown pediu neste domingo que todos os membros da UE cooperem, indicando que se for necessário ajudar financeiramente as empresas afetadas poderá buscar o "apoio da UE através do fundo de solidariedade".

A erupção do vulcão Eyjafj¶ll, que está embaixo de uma geleira, o que intensifica seus efeitos, não dava sinais de redução. Os especialistas advertiram que poderá durar várias semanas.

O serviço meteorológico britânico indicou neste domingo à tarde que "as tendências meteorológicas continuam sendo de chegada de cinzas vulcânicas à Grã-Bretanha".

É "difícil prever ou compreender durante quanto tempo um vulcão permanece em erupção. Algumas são relativamente curtas, mas outras duram meses", explicou Dougal Jerram, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade inglesa de Durham.

Em meio a este caos, milhões de passageiros permaneciam bloqueados no mundo, enquanto que outros tentavam chegar ao destino por via terrestre ou marítima.

Um porta-voz da IATA adiantou uma "estimativa muito prudente" da quantidade de passageiros bloqueados no mundo: 750.000 pessoas por dia. Foi calculada na sexta-feira a hipótese da perturbação apenas da metade do tráfego europeu.

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