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24/04/2010 - 17h16

FMI lembra desafios para a recuperação e recomenda à América Latina que evite altos e baixos

Embora os sinais de recuperação da economia sejam animadores, ainda "subsistem muitos desafios" que devem ser enfrentados coletivamente, declarou este sábado, em Washington, o comitê diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), que recomendou aos países da América Latina, que superaram bem a crise, a implementação de medidas para lidar com a situação favorável, evitando os altos e baixos do passado.

Os 186 membros do Fundo Monetário Internacional (FMI) reiteraram, este sábado, o compromisso com "níveis sustentáveis" da dívida pública, em um momento em que a crise grega força a mobilização de recursos da União Europeia e do próprio Fundo.

"Os sinais de uma recuperação econômica são animadoras, mas subsistem muitos desafios que devem ser enfrentados coletivamente", explicou em um comunicado.

"Estamos muito comprometidos em manter finanças públicas e riscos da dívida sustentáveis", acrescentou o texto.

"Fortalecer a regulamentação financeira, sua supervisão e sua resistência continua sendo uma tarefa crítica, mas incompleta", advertiram.

O Fundo e seus membros continuarão debatendo as opções para que "o setor financeiro possa realizar uma contribuição justa e substancial para compensar o extraordinário apoio governamental" durante a crise financeira passada, destacou o texto acertado após reunião, realizada durante a plenária semestral do FMI.

Estas opções deverão respeitar "as circunstâncias de cada país", acertaram os membros do Fundo.

As negociações internas para reformar as cotas de poder e o funcionamento do Fundo continuarão e deverão estar prontas em janeiro 2011, acrescentou o comitê financeiro e econômico do Fundo em seu texto.

Aos países da América Latina, o diretor do FMI para a região, Nicolás Eyzaguirre, alertou que "a experiência nos mostra que um financiamento externo abundante e barato eleva o risco de um ciclo de altos e baixos, que potencialmente cria um aumento da demanda doméstica e do crédito, uma bolha de preços dos ativos e déficit das contas correntes".

Os países latino-americanos se beneficiam da recuperação global, dos altos preços das matérias-primas e do aumento da liquidez, destacou o diretor regional do Fundo, para quem a América Latina crescerá este ano cerca de 4%, o que repetirá em 2011.

O desafio agora é "implementar uma série de políticas para aproveitar os 'ventos de popa' da situação global", que inclui "condições acessíveis de financiamento externo" e "os altos preços" das matérias-primas, de cuja exportação depende grande parte da região, afirmou.

O FMI recomendou manter flexível o tipo de câmbio, diminuir ou até mesmo reverter pacotes de estímulo aplicados durante a crise e políticas "prudenciais" de disciplina fiscal e macroeconômica.

E se isto "não parecer suficiente", os países podem impor "impostos aos fluxos de capitais cuidadosamente desenhados", acrescentou Eyzaguirre.

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