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24/04/2010 - 19h35

FMI lembra desafios para recuperação; Brasil terá que lidar com 'dificuldades do êxito'

Embora os sinais de recuperação da economia sejam animadores, ainda "subsistem muitos desafios" que devem ser enfrentados coletivamente, declarou este sábado, em Washington, o comitê diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Além disso, o Fundo recomendou aos países da América Latina, que superaram bem a crise, a implementação de medidas para lidar com a situação favorável, evitando os altos e baixos do passado, citando o Brasil como o exemplo perfeito do país "que terá que saber lidar com as dificuldades associadas ao êxito e a ser considerada uma economia promissora".

Os 186 membros do Fundo Monetário Internacional (FMI) reiteraram, este sábado, o compromisso com "níveis sustentáveis" da dívida pública, em um momento em que a crise grega força a mobilização de recursos da União Europeia e do próprio Fundo.

"Os sinais de uma recuperação econômica são animadoras, mas subsistem muitos desafios que devem ser enfrentados coletivamente", explicou em um comunicado.

"Estamos muito comprometidos em manter finanças públicas e riscos da dívida sustentáveis", acrescentou o texto.

"Fortalecer a regulamentação financeira, sua supervisão e sua resistência continua sendo uma tarefa crítica, mas incompleta", advertiram.

O Fundo e seus membros continuarão debatendo as opções para que "o setor financeiro possa realizar uma contribuição justa e substancial para compensar o extraordinário apoio governamental" durante a crise financeira passada, destacou o texto acertado após reunião, realizada durante a plenária semestral do FMI.

Estas opções deverão respeitar "as circunstâncias de cada país", acertaram os membros do Fundo.

As negociações internas para reformar as cotas de poder e o funcionamento do Fundo continuarão e deverão estar prontas em janeiro 2011, acrescentou o comitê financeiro e econômico do Fundo em seu texto.

Aos países da América Latina, o diretor do FMI para a região, Nicolás Eyzaguirre, alertou que "a experiência nos mostra que um financiamento externo abundante e barato eleva o risco de um ciclo de altos e baixos, que potencialmente cria um aumento da demanda doméstica e do crédito, uma bolha de preços dos ativos e déficit das contas correntes".

Os países latino-americanos se beneficiam da recuperação global, dos altos preços das matérias-primas e do aumento da liquidez, destacou o diretor regional do Fundo, para quem a América Latina crescerá este ano cerca de 4%, o que repetirá em 2011.

O desafio agora é "implementar uma série de políticas para aproveitar os 'ventos de popa' da situação global", que incluem "condições acessíveis de financiamento externo" e "os altos preços" das matérias-primas, de cuja exportação depende grande parte da região, afirmou.

O FMI recomendou manter flexível o tipo de câmbio, diminuir ou até mesmo reverter pacotes de estímulo aplicados durante a crise e políticas "prudenciais" de disciplina fiscal e macroeconômica.

E se isto "não parecer suficiente", os países podem impor "impostos aos fluxos de capitais cuidadosamente desenhados", acrescentou Eyzaguirre.

A situação favorável "provavelmente se manterá, mas o mais certo é que não seja permanente, o que cria riscos potenciais", disse Eyzaguirre. O objetivo, então, é "como aplicar políticas para lidar com o retorno dos bons tempos, considerando que eles não durarão para sempre", destacou.

Eyzaguirre disse que o Brasil é o exemplo perfeito do país "que terá que saber como lidar com as dificuldades associadas ao êxito e a ser considerada uma economia promissora".

O governo brasileiro, avaliou, deve considerar por em prática "todos os instrumentos do pacote": apreciação de sua moeda, por em "ponto neutro" o estímulo fiscal, aplicar regulamentações "prudenciais" e taxar os fluxos de capital.

No extremo oposto estaria a Venezuela, que é um caso único na região, um dos três países latino-americanos que verão, este ano, uma queda de seu Produto Interno Bruto: 2,6%.

Esta situação se explica pela queda da atividade privada no país, afetada por frequentes cortes de energia, explicou Gilbert Terrier, assessor do FMI para a América Latina.

Para os países da região que dependem, em maior medida, das remessas e do turismo, como os centroamericanos e do Caribe, a capacidade para dar "estímulo macroeconômico tem sido quase totalmente consumida, razão pela qual agora deve haver uma economia prudente para cenários negativos", disse Eyzaguirre.

Ainda assim, se ficar difícil sustentar a política fiscal, "os esforços devem se concentrar em manter medidas dirigidas a aliviar as privações dos pobres", acrescentou o diretor do FMI.

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