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25/04/2010 - 12h44

Banco Mundial aprova mais peso aos países emergentes

Os 186 membros do Banco Mundial (Bird) concordaram neste domingo em dar mais peso aos países emergentes nas decisões da instituição e se comprometeram a aumentar o capital, na reunião semestral realizada em Washington.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, confirmou a decisão de redistribuir as cotas de poder interno em favor dos emergentes "para melhorar a estrutura de gestão do Banco", em uma intervenção no Comitê de Desenvolvimento do Bird.

"A nova fórmula refletirá melhor o peso dos países em desenvolvimento e em transição ma economia global, ao mesmo tempo que protege a voz dos países menores e mais pobres", celebrou Geithner.

Os países emergentes agrupam 44% dos direitos de votos nas decisões do banco, após uma primeira fase de reformas iniciada em 2008.

"Nos últimos meses, o Banco Mundial apresentou argumentos fortes e convincentes para uma nova injeção de capital de 3,5 bilhões de dólares", explicou Geithner, que ofereceu recursos americanos de US$ 1,1 bilhão.

"Porque acreditamos que este resultado merece nosso apoio decidido, os Estados Unidos concordam em não assumir toda a participação acionária que lhe corresponderia sob este novo acordo", acrescentou.

O presidente do Bird, Robert Zoellick, havia pedido aos 186 membros a aprovação de um aumento de capital, o primeiro em mais de 20 anos, e advertiu que se a medida não fosse adotada diminuiria a influência da instituição.

O aumento de capital pretende cobrir parte dos mais de 100 bilhões de dólares em compromissos assumidos pelo banco desde julho de 2008, em empréstimos, subsídios, investimentos e garantias a projetos privados.

A decisão do Bird foi anunciada um dia depois das críticas do Brasil ao Fundo Monetário Internacional (FMI) pela "falta de ambição" e "resistência à mudança" na revisão das cotas internas de poder, para equilibrar o nível de representação dos países com seus aportes.

O Brasil deseja uma redistribuição do Fundo de sete pontos percentuais das cotas internas em favor dos países emergentes, enquanto os países ricos propõem uma redistribuição de cinco pontos percentuais.

Outro dos principais beneficiados seria a China, em detrimento dos países da União Europeia (UE), que atualmente têm grande peso na diretoria do FMI.

O diretor gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, afirmou no sábado que "é forte a vontade política para responder a uma longalista de temas", entre eles o tamanho da diretoria e quem o substituirá no cargo.

"Precisamos considerar medidas para tornar a diretoria mais representativa e mais efetiva", declarou Geithner no sábado, que respaldou um plano para eliminar algumas cadeiras, mas preservando as dos países emergentes.

A reunião de sábado não resultou em grandes novidades, mas o encontro de domingo do Bird deve representar "um momento crucial, depois que em 2009 se observou o fim do que até então era conhecido como Terceiro Mundo", afirmou Zoellick.

"As placas tectônicas econômicas e políticas estão se movendo. Nós também podemos mudar", disse.

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