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28/04/2010 - 13h56

Governo português e oposição unem-se contra dívida pública

O governo português e o principal partido da oposição anunciaram nesta quarta-feira a intenção de "trabalhar juntos" para enfrentar a crise da dívida, o que permitirá antecipar medidas do plano de austeridade destinado a reduzir o déficit público. A decisão ocorre depois de a agência de classificação de risco Standard & Poor's ter rebaixado a nota da dívida soberana portuguesa, na terça-feira.

"O governo e o principal partido da oposição decidiram trabalhar juntos para responder em primeiro lugar ao que se constitui um ataque especulativo sem fundamento contra o euro e contra a dívida soberana portuguesa", declarou o primeiro-ministro José Sócrates em coletiva de imprensa junto com Pedro Passos Coelho, presidente do Partido Social-Democrata (PSD, centro-direita).

O governo socialista, minoritário no Parlamento, tem "a intenção de antecipar para 2010 medidas que estavam previstas para os próximos anos em nosso programa de estabilidade e crescimento", anunciou Sócrates.

Com o objetivo de fazer com que "todos os agentes internacionais saibam que o país tem a intenção de respeitar seus objetivos" em matéria de dívida, afirmou que as restrições à concessão de seguro-desemprego e outras prestações sociais seriam introduzidas este ano.

Passos Coelho, que até agora afirmava não se sentir "vinculado" às medidas inscritas no programa de ajuste fiscal, se disse "disponível" para permitir que essas restrições possam entrar em vigor "mais rapidamente".

Os dois líderes, que mantinham um "diálogo regular", decidiram reunir-se com mais frequencia depois que, na terça-feira, a agência de classificação de risco Standard and Poor's rebaixou a nota de longo e curto prazo da dívida soberana de Portugal, alegando que as finanças públicas do país estão "estruturalmente frágeis".

O plano de austeridade do governo quer reduzir o déficit público de 9,4% do PIB em 2009 para 8,3% este ano, para acabar fixando-o abaixo de 3% em 2013.

Mesmo assim, prevê um amplo plano de privatizações, para diminuir a dívida pública do país, que deve chegar a 85,9% do PIB este ano.

A queda da classificação da dívida portuguesa foi considerada um duro golpe pelo governo, que tenta distanciar-se da crise grega e se mostrar decidido a sanear as contas públicas.

"Todas as medidas tendem a demonstrar a vontade do governo de consolidar as finanças públicas e são destinadas a tranquilizar os investidores" e evitar que se repita o que ocorreu com a Grécia, declarou à AFP o economista do banco BNP Paribas, Philippe Sabuco.

A Bolsa de Lisboa voltou nesta quarta-feira a ter uma sessão volátil, e fechou em baixa de 1,89%. Na terça-feira, havia fechado em forte queda de 5,36%.

Na Espanha, o índice Ibex-35, das principais ações da bolsa de Madri, perdeu 313,9 pontos (-2,99%) até situar-se nos 10.167 pontos ao final da sessão, depois que a S&P também rebaixou a classificação da dívida espanhola de "AA+" a "AA".

Paris teve perda de 1,50%, com seu índice CAC 40 nos 3.787 pontos.

O índice Dax 30 de Frankfurt regrediu 1,22%, a 6.084,34 pontos.

Londres registrou queda de 0,3%, com o Footsie a 5.586,91 pontos.

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